Quando informaram que implantariam o sistema de tratamento de esgotos no bairro Paes Leme para salvar a Lagoa da Bomba, fiquei feliz com a preocupação do poder público em preservar uma fonte de água que já matou a sede de milhares de pessoas de Imbituba. E, diga-se de passagem, também matou a fome de muitos, quando ali havia peixes e camarões.
Com a
contratação da Casan, passaram a falar na lagoa como um futuro local turístico, pedalinhos, barcos e outras coisas boas que hoje já nem se falam mais.
Tenho certeza que se essa lagoa estivesse em um país do Oriente Médio, onde a água é artigo de luxo, teria-se uma proteção total e para isso se gastaria milhões. Contudo, aqui, parece que acreditam que água sempre haverá e que nunca mais se precisará beber água poluída da Lagoa da Bomba.
E isso pode ser bem visto na última foto abaixo, onde uma área de cerca de 500m² às margens dessa lagoa, onde havia um pouco do que resta de mata ciliar, foi aterrada por um ex-vereador de Imbituba. Por aí se vê a consciência político-ambiental que temos em nossa cidade.
Mas por que criticar um ex-vereador - ainda ativo politicamente - , por ter aterrado um pequeno pedaço de mangue, se toda a margem da lagoa não está sendo preservada? Se nem onde não há casas - por enquanto - está sendo feito algo para recuperar a mata ciliar! Então, vamos deixar o tal político aterrar e construir mais uma casinha.
Como se poderá ver nas fotos, não se sabe onde termina a margem, onde começa a lagoa. Isso porque os aguapés tomaram conta do leito da lagoa, parecendo mais uma pastagem ou um campo de futebol. Há apenas uma pequena abertura para a entrada de raios solares.
Interessante que há em Imbituba tantas associações disso e daquilo, mas não conheço nenhuma que se interesse pelo meio ambiente. E olha que essas associações recebem dinheiro público! Só do município, que é o que menos distribui diante do Estado e da União, no ano passado foram aproximadamente R$ 250 mil.
Diante dessas fotos e da falta de fiscalização no sentido de coibir novos aterros, bem como o fato de não se recuperar as margens degradadas, não vejo que haja vontade de se evitar a morte da Lagoa da Bomba. Lamentável.
Onde termina a margem, onde começa a lagoa? (foto produzida hoje)
Campo ou lagoa? (foto produzida hoje)
À esquerda se vê parte da estação de tratamento de esgotos.
Está vendo a lagoa?
Ao fundo, aparece uma pequena parte da lagoa que ainda
não está coberta por aguapés (foto produzida hoje)
Essa foto foi produzida em 22/05/2011. Havia menos aguapés.
Vista oposta.
Foto produzida em 22/05/2011.
Foto produzida em 22/05/2011.
Visão que se tinha do final da Rua Gregório de Souza
Vista de parte da área aterrada, com cerca de 500m²,
que atingiu mata ciliar e mangue.