Leitores, na semana passada, fui entrevistado na Rádio Comunitária de Nova Brasília-NBCFM, para falar deste blog e sobre a imprensa de nossa cidade.
Por falta de tempo, não consegui, durante a entrevista, expor todas as minhas opiniões sobre a imprensa local, principalmente no que pertine à censura. Também, por problemas técnicos e limitações - por força de lei - daquela rádio, não foi possível chegar a vários leitores do
blog, os quais tinham manifestado interesse nessa audição.
Conforme fui informado, a entrevista será reprisada. E estarei à disposição, se houver interesse de nova entrevista para se debater, com mais tempo, sobre a censura na mídia.
Bem, mas vamos ao artigo de hoje.
Leitores, cresci ouvindo que a então Rádio Difusora de Imbituba falava apenas o que o governo municipal queria. A propaganda eleitoral e os candidatos do "Doutor Rimsa" tinham sempre os microfones abertos por lá. Podia-se dizer que era a rádio institucional do Poder Público de Imbituba.
Com o tempo, pasquins e pequenos jornais surgiram. Eram a "oposição" da época. Feitos de forma rudimentar, abriu-se espaço não para a população, mas para a possibilidade de se ver os atos públicos de outra forma. Muitas vezes, essa visão era distorcida pelos próprios editores jornalísticos, também, talvez, com interesses políticos.
A cidade teve um aumento populacional, surgiram novos jornais e rádios, mas a imprensa permaneceu amarrada a vícios e dogmas do passado.
Como eu disse em minha entrevista, é fato que o entendimento popular de Imbituba é que a "rádio A" defende "B", e a "rádio C" defende "D".
Notícias são veiculadas de acordo com as paixões e interesses políticos, sem que se tenha qualquer respeito para com o ouvinte ou com o leitor.
E disse mais: nos tratam como idiotas! Como se não tivéssemos discernimento suficiente para sabermos que determinada informação não passa de artimanhas políticas, de um amontoado de
lorotas com o objetivo de enganar pessoas sem conhecimento. E conseguem, infelizmente.
Notícias prontas e "de graça" chegam aos jornais e rádios e são divulgadas ipsis litteris, sem se perder tempo em buscar a veracidade ou de propiciar uma outra versão. Divulgam-se fatos irresponsavelmente alterados, equivocados, inverídicos. Censuram fatos relevantes e verdades, sendo essa censura gratuita ou onerosa.
Fazem brilhar quem não possui nenhum brilho. Por outro lado,
denigrem a imagem de pessoas humildes e desamparadas, no afã de um furo de reportagem ou para demonstrar certa "coragem" em informar. A coragem verdadeira que lhes falta está guardada nas gavetas, nos bolsos e na imaginação.
Parecem ignorar ou não se importarem com as consequências sociais de matérias inconsequentes.
A ética e a responsabilidade social passam ao largo. E a culpa, sinceramente, não sei de quem é. Se dos políticos ou dos profissionais e proprietários dos meios de comunicação. Ou de todos, cada um com sua mea culpa.
Até porque a censura nem sempre parte do poder político que governa uma cidade, mas de uma oposição que aguarda tomar esse poder. Ou de grupos econômicos que são a base do mesmo poder.
E quando me perguntaram na entrevista o que eu achava da imprensa local, com vários jornais, três rádios e uma TV na web, respondi: de quantidade estamos bem; de qualidade, não! Desculpem-me pela minha sinceridade.
E nem sei se há espaço para tanto, pois os custos de um jornal, por exemplo, não são baixos. E para sobreviverem nessa concorência - muitas vezes desleal - , só mesmo com dinheiro público - através de mídia "institucional" -, de políticos e de grupos econômicos.
Na Constituição Federal, em seu artigo 221, assim está disposto:
"A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família." (grifei)
Leitores, com base nesse artigo constitucional, posso afirmar que a imprensa de Imbituba precisa - uns mais, outros menos - de um banho de ética, decência e responsabilidade; estendendo-se aos que a controlam. E não vou nem falar de
imparcialidade, que no meu ponto de vista, é uma consequência das qualidades ora mencionadas.
Essa imparcialidade pode e deve ser usada nos editoriais, local próprio para se emitir a opinião do respectivo meio de comunicação, ou numa coluna jornalística, que assim como os blogues, expressa a visão particular do colunista/blogueiro.
E volto a usar a frase que finalizei minha entrevista: "...sem uma imprensa confiável, sólida, de qualidade, não há democracia. Num país em que a imprensa não merece confiança, a democracia corre perigo." (Jornalista Eugênio Bucci)