Leitores, recebi dois trabalhos de pesquisa interessantes, os quais passarei a divulgar a partir de hoje, em partes. Os artigos são atinentes ao Programa de Pós Graduação em Geografia do Desenvolvimento Regional e Urbano da UFSC (nível Mestrado), produzidos pelo leitor Paulo Henrique Schlickmann, residente em Imbituba, e assistido pelo professor José Messias Bastos.
Os artigos visam a analisar o impacto sócio-espacial da indústria do Grupo Votorantim no nosso pequeno município de Imbituba:
No estudo de geografia regional o indispensável e inevitável é a caracterização temporal e espacial, portanto, é crucial identificar o local analisado e em que período. O lugar é Imbituba, Sul de Santa Catarina, com cerca de 40.000 habitantes, tem o porto como base econômica.
Pretende-se analisar o período atual de Imbituba, suas transformações e perspectivas geradas pela instalação de uma fábrica do Grupo Votorantim no território imbitubense. A instalação da fábrica em Imbituba vem carregada de promessas de empregos, vigorosa transformação espacial e alterações na configuração urbana municipal. Portanto, analisaremos Imbituba–SC, suas transformações recentes, pretendendo antever problemas e realizar projeções que possibilite organização racional do espaço Municipal.
As análises se basearão em alguns fundamentos teóricos norteando os estudos frente à realidade, compondo assim fundamentação das análises, dando base ao estudo. O primeiro aporte teórico é em Milton Santos (1976), sobre a Formação Sócio Espacial. Utilizando esta didática tem-se a formação social como concreto, que está sujeito às mudanças históricas, sendo o econômico dado pelas forças produtivas, advindas da relação Homem X Natureza. E, o social, que articula a força humana com seus meios de produção, com as classes sociais e as forças sociais. Nesta categoria entende-se “o plano da história, que é o da totalidade e da unidade de todas as esferas (estruturais, supra-estruturais e outras) da vida social na continuidade e, ao mesmo tempo, na descontinuidade do seu desenvolvimento histórico” (SERENI, 1976, p. 71).
André Cholley (1964) afirma que fenômenos geográficos são resultados de inúmeras combinações provenientes de relações naturais, sociais e históricas, portanto, sua base teórica será indispensável para o entendimento da realidade geográfica.
As questões urbanas serão analisadas junto aos referenciais de Localidades Centrais, de Christaller (1933), de Rede Urbana, de Corrêa (1997), e sobre A Utilização do Solo Urbano, de Lago (1996).
Para entender a realidade do progresso histórico, utiliza-se Lefebvre (1999). Para ele, o movimento da sociedade é composto por continuidades e descontinuidades, progressos e rupturas, provenientes da busca por soluções de problemas atuais, germes de problemas ainda desconhecidos.
Nesta tendência de análise somos convidados a entender a problemática do estudo, na qual, sem ela, seria divagar sem objetivo, caindo, logicamente, em abstrações e futilidades. O que nos aflige são os problemas gerados pela rápida expansão econômica, desordenada e inconsequente, que possivelmente recairá sobre Imbituba, caso não haja planejamento, fóruns populares e organização espacial.
O papel do geógrafo, neste caso, é entender o processo de transformação espacial, destacar possíveis problemas chamando atenção para não cometer erros repetidos, propondo assim alternativas e organização.
Para ser claro sobre o escrito é necessário destacar três pontos. Primeiro, que de forma alguma o autor é contra a implantação da indústria em Imbituba; segundo, que o estudo é provisório, superficial e incompleto; terceiro, se trata de um estudo sobre transformações sócio-espaciais em Imbituba, sendo estritamente geográfico. Já o sucesso da organização urbana será fruto de amplo estudo interdisciplinar.
Leia a segunda parte deste artigo,
amanhã.
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A imagem do post foi extraída do site do jornal O Popular Catarinense)