Por César de OliveiraHá um ditado que diz que "recordar é viver". Não consegui, ainda, por mais que tenha refletido, descobrir o descaso, o desisnteresse, a omissão, de nosso povo e autoridades para com o resgate (lembrança, redescoberta) de nosso passado, bem como para com a preservação do que ainda resta.
Como esquecer do Açougue do Censo, da Barbearia do Piliço e do Bar da Loló. Como olvidar do Cine Marabá, dos Festivais Municipais de Música, das celebrações de Natal em frente ao portão da Indústria Cerâmica Imbituba, das dancinhas no Imbituba Atlético Clube, dos Bailes de Debutantes do Vila Nova Atlético Clube, do Clube do Sete?
Como não lembrar dos campeonatos de futebol amador, as disputas entre o Clube Náutico Praiano, o Vila Nova Atlético Clube e o Mirim Esporte Clube, as “peladas” nos campinhos improvisados à beira da Praia do Porto?
Não dá para esquecer o Café Solima, a Farmácia do seu “Luizinho”, o bar do “Chia” e a venda do “seu” Domicinho, o bar do “seu” Hercílio, a loja do seu Lourival Ramos, a pesca da tainha, a Granja Henrique Lage, o SAPS, a Casa Mariana, a “Operária Velha”, o Imbituba Hotel (“Hotel Grande”), o ônibus do Pióca (“Pica fumo”).
Pergunto-me se as pessoas sabem quem foram – e qual sua relação com Imbituba – as pessoas que dão nome à ruas de Imbituba, como por exemplo: Manoel Florentino Machado, Ernani Cotrin, Ruth da Cruz Secco,
Henrique Lage (foto), Nicolau Bartolomeu da Rosa Matos? Duvido.
Essa alienação, essa ignorância, é que faz com sequer tenhamos uma identidade própria, uma noção de povo, de cidadania, um ídolo a ser cultuado, um mito a ser exaltado, um exemplo a ser seguido e imitado, um prato típico, uma festa típica, uma data especial, um fato histórico a ser lembrado e festejado. Nada, nada e nada!!!
(foto de Henrique Lage foi extraída do site do Porto de Imbituba)