
A leitora Rosimeri, do bairro Paes Leme, fez um
comentário acerca da taxa de esgoto que está sendo cobrada dos moradores desse bairro, a partir da implantação do sistema de captação de resíduos domésticos. Sua preocupação, muito importante, é sobre o valor dessa taxa, que corresponde a 100% do valor da conta de água consumida.
O percentual de 100% é porque a Casan trabalha com o pressuposto de que toda a água consumida é devolvida à rede de esgoto. Estimativa ridícula!!!
Segundo Rosimeri, que é agente comunitária de saúde, muitos moradores não têm condições econômicas de arcarem com mais essa despesa mensal.
Embora a lei preveja isenção dessa taxa para os consumidores hipossuficientes economicamente, um dos requisitos da lei desobriga a Casan de isentá-los, qual seja, ter um imóvel maior que 70m². Para o legislador, quem possui uma casa maior que essa medida, também possui condições para pagar todas as tarifas públicas.
Ora, isso não passa de verdadeiro absurdo! Enquanto deputados, ricos ou milionários, recebem auxílio-moradia de valor expressivo, o cidadão comum, economicamente pobre, não pode ser isento porque sua residência, por mais simples que seja, e construída a duras penas, possui mais de 70m².
Como bem disse Rosimeri, "O tamanho da casa dessas pessoas nada tem a ver com o poder aquisitivo atual". E ela chama a atenção para o fato de que muitos consumidores ficarão pagando a taxa exigida mesmo sem usarem o serviço, pois não possuem condições financeiras para realizarem a ligação do esgoto de sua casa à rede de captação da Casan.
Na última sessão da câmara, o vereador Dorlin Nunes Júnior (PSDB) apresentou requerimento de urgência solicitando que a Casan estude uma forma de reduzir o valor da tarifa.
O requerimento foi dirigido à secretaria de desenvolvimento urbano e ambiental e à gerência regional da Casan, embasado na justificativa de que algumas concessionárias de tratamento de esgoto, principalmente as SAMAEs, trabalham com valores diferenciados entre a tarifa desse serviço e a de consumo de água tratada, pois nem toda água consumida gerará esgoto. Como salientou o vereador, "a água pode ser utilizada para regar plantas, lavação de veículos, de calçadas e absorvida pelo próprio solo, não gerando esgoto." Sem contar, leitor, que quase a totalidade da população em questão também utiliza essa mesma água para cozinhar e beber.
Penso que, nesse caso, os moradores atendidos pelo sistema devem pressionar as autoridade responsáveis para conseguirem a redução dessa taxa, pois se ficarem de braços cruzados, continuarão pagando pelo serviço, mesmo sem usá-lo.