 |
| Rodovia Motorway |
Por Karin Vieira Roussenq
Ah!, que saudade das filas na saída da Ponte Colombo Salles, em Florianópolis... Que nada... Tenho horror a trânsito!
Sabem, quando o brasileiro chega na Nova Zelândia, com a carteira de motorista do Brasil, é possível dirigir aqui por um ano. Depois desse período, para continuar dirigindo é preciso fazer teste de direção e tirar a carteira de motorista daqui. Ainda não tive a oportunidade de dirigir por aqui, e confesso que tenho um pouco de receio (a estrada, o volante, neste lado do mundo, é tudo invertido... rsrs). E como já estou aqui há mais de sete meses (nossa, como o tempo passa rápido!), provavelmente vou ter que tirar a carteira de motorista quando quiser dirigir.
 |
| Paulo Lopes - BR 101 - Páscoa de 2012 |
Mas apesar de ainda não ter dirigido, é fácil perceber que o trânsito é bem diferente das nossas imensas filas de carros no Brasil. Ok, tem trânsito, e eu sei disso porque alguns colegas do curso de gastronomia moram nos bairros vizinhos e precisam acordar muito mais cedo que eu para chegar na aula, no horário, para evitar o trânsito.
Mas eu acho que eles não sabem o que realmente é ficar parado no trânsito como nossas filas para entrar e sair de Floripa, ou o tortuoso caminho de Paulo Lopes até a nossa Capital, no domingo à tarde, ou aquele movimento interminável de Tubarão para Imbituba... Isso falando de Santa Catarina, né...? Porque se formos pensar em São Paulo, por exemplo... Nooooossa! Lembro das filas e filas de carros parados na Anchieta...
Aqui não se vê filas, loucuras no trânsito ou aqueles motoristas espertinhos furando pelo acostamento. Até que, na última sexta-feira, tudo mudou... rsrs Brincadeirinha...
Mas, falando sério, às 18h00 de sexta-feira eu estava indo com uns amigos a um restaurante brasileiro que fica em Ponsonby, a menos de dez minutos daqui do centro, indo de carro.
De ônibus demora um pouquinho mais. Temos duas opções: ir com o ônibus que é de graça (o “vermelhinho”, que faz uma rota pequena, saindo da Queen Street – a principal rua aqui de Auckland – e contorna pelas ruas próximas, voltando para Queen Street. Mas não vai até Ponsonby. Então, depois de uns dez minutos de ônibus, é preciso caminhar mais dez para chegar lá) ou com o “verdinho”, que custa Nz$ 1,90 (aproximadamente R$ 3,00), que faz um caminho mais longo e demora um pouco mais – meia hora, talvez –, e para na frente do tal restaurante que estávamos indo.
 |
| Nova Zelândia, 07/03/13, sexta-feira. |
Com essas duas opções, ficamos na dúvida se íamos com o “vermelhinho” ou com o “verdinho”. Eis que olhamos a Queen Street PARADA!!! E a rua do lado (Albert Street), por onde o outro ônibus ia, também paradíssima! Ruas cheias de carros, trânsito absurdo... Não estávamos entendendo o que estava acontecendo. Se fosse no Brasil, era perfeitamente aceitável. Seis horas da tarde, pessoas saindo do trabalho e indo para casa, trânsito é mais que normal.
Mas, aqui, isso não é comum.
Qual foi a solução? Fomos caminhando... Meia hora de caminhada e estávamos lá. Mas o que me impressionou é que durante todo o trajeto a fila de carros era enorme e “nos acompanhou” até chegarmos ao nosso destino. Não entendíamos o porquê de todo aquele trânsito, afinal, como eu disse, não é comum.
E só no dia seguinte fui saber o motivo do caos, quando cheguei para trabalhar e li na primeira página do jornal: uma van bateu na traseira de um caminhão, na Motorway, pouco antes das quatro horas da tarde. Quase três horas depois, as ruas do centro da cidade ainda se encontravam congestionadas, com motoristas reportando velocidade de 10 km/h. Trajetos que geralmente eram feitos em quinze minutos estavam sendo feitos em mais de uma hora.
O porta-voz da Associação Automobilística disse jamais ter visto tráfego como esse na região central de Auckland.
Finalmente, após algumas horas, naquela noite, o trânsito voltou ao normal.
Enquanto isso, do outro lado do mundo...