A leitura de mensagens postas no Twitter pelas pessoas que sigo é que motivou a escrever este texto, buscando aclarar conceitos e, especialmente, a utilização indevida da Moral nas questões políticas.
Inicialmente, devemos buscar entender o que significam Política, Ética e Moral. Podemos dizer que Política, na concepção que nos interessa, seja o conjunto das práticas que tem por objetivo a conquista do Poder no âmbito do Executivo ou do Legislativo, seja como presidente, governador, prefeito, deputado ou vereador.
A Ética pode ser entendida como o conjunto de normas e princípios que norteiam a conduta do ser humano, sendo seu objetivo primordial a obtenção da Felicidade.
Já a Moral abrange as regras de conduta ou hábitos julgados válidos, quer universalmente, quer para grupo ou pessoa determinada.
A Ética é de ordem pública; a moral, de índole privada.
Verifica-se, portanto, que Ética e Moral não se confundem, especialmente no âmbito da prática política, porque o Político não pode levar em conta seus valores morais, já que tem que pensar em relações públicas e, nesse sentido, mais de forma ética que moralmente. É nesse contexto que deve ser entendida a célebre frase de Maquiavel: na busca do Poder, os fins (a felicidade) justificam os meios (morais ou imorais)
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Por isso, não se deve estranhar quando Lulla se junta com Maluf ou "amigos" de ontem se tornam "inimigos" hoje, podendo voltar a serem "amigos", futuramente. Eticamente, tal agir é perfeitamente justificável, porquanto busca obter ou manter o Poder, traduzido em Felicidade para qualquer Político.
Moralmente, porém, tais comportamentos não podem ser criticados ou repudiados, sob pena de moralizarmos a Política, como se ela fosse um encontro de relações nossas, relações particulares.
Exemplificando: posso ficar moralmente ofendido a ver um amigo conversando amigavelmente com alguém que ele sabe ser meu inimigo. Por considerar que ele está sendo desleal (falta moral) comigo, eu o excluo do meu rol de amigos e corto relações de amizade com ele. Por outro lado, o contato do presidente de meu partido com o presidente de outro partido adversário, buscando obter um acordo para chegar ao Poder ou mantê-lo, se insere no plano da Ética, porquanto obter o Poder através de acordo e não da força é uma prática democrática, por excelência.
Logo, acordos políticos, mesmo com adversários, são sempre eticamente corretos. Moral, caráter não cabem nesse contexto.
¹Segundo meu amigo Arrison Berkenbrock, Maquiavel não teria escrito a frase "os fins justificam os meios". Segundo ele, no Capítulo XVIII d' O Príncipe, consta em seu texto original a afirmação "si guarda al fine", cujo significado é "o que conta por fim são os resultados", e não "os fins justificam os meios".