Em outubro de 2011, quando eu
escrevia pela terceira vez sobre a Lagoa dos Cágados, por ocasião de uma nota emitida pela prefeitura municipal de Imbituba, ao final do artigo eu disse: Vamos ver se dessa vez será resolvido o problema e o projeto concretizado, ou, daqui a um ano, estarei escrevendo mais um artigo repetitivo. Não deu um ano! Estou aqui de volta.
No mês passado, ouvi de um colega que a referida lagoa estava sendo aterrada para a construção de um prédio de apartamentos. Eu disse que ele estava enganado, pois a prefeitura faria ali uma praça.
No último fim de semana, para minha decepção, ouvi em uma reunião de amigos que a lagoa estava mesmo sendo aterrada. Isso, portanto, só fortalecia a notícia ouvida anteriormente.
Por coincidência, ao chegar em casa, depois dessa reunião, recebi um email de um leitor que encaminhava fotos do local e pedia que eu escrevesse sobre o fato.
Segundo informações que consegui levantar, a empresa Emacobrás e a SETEP (empresa que realizou o asfaltamento e está instalando a rede pluvial no Centro) estariam aterrando a lagoa, fato este que levou a SEDURB a notificar a primeira e providenciaria a notificação da segunda, isso porque a área está descrita no plano direitor como sendo zona de parque urbano.
Não fiquei surpreso de a Emacobrás estar envolvida no problema, diante do que já ocorreu no
Loteamento Granja Henrique Lage e na retirada de mata ciliar do córrego localizado no bairro Vila Santo Antônio, onde realiza outro loteamento.
Entretanto, segundo informação não oficial, a Emacobrás teria negado seu envolvimento no aterro da Lagoa dos Cágados.
De acordo com outras informações que recebi, proprietários de caminhões caçamba teriam sido contratados para levar aterro para a lagoa, mas não consegui apurar qual empresa ou qual pessoa teria contratado esses caminhoneiros.
Boa parte do aterro é composta de areia vermelha, parecida com a mesma que diariamente se retira do Loteamento Granja Henrique Lage.
Outra parte é composta de areia branca e pedaços de asfalto extraídos da obra realizada nas ruas do Centro.
Agora há pouco, quando eu concluía esta postagem, a diretoria de comunicação da prefeitura divulgou aos meios de comunicação e no Twitter a seguinte nota:
Empresas são notificadas por aterrar área de preservação
Nesta quinta-feira, dia 03, o diretor da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (Sedurb), engenheiro Eduardo Nunes, e fiscais da secretaria, notificaram as empresas Emacobras e Setep por aterrarem a área de preservação no Centro de Imbituba, a Lagoa do Cantagalo, conhecida também por Lagoa de Cágados.
Em visita aos locais, a equipe da secretaria constatou grande quantidade de aterro no local e uma máquina e um caminhão no local. O diretor pediu o isolamento da área.
“As empresas foram notificadas e agora terão que fazer todo um trabalho de recuperação da lagoa”, informa Eduardo Nunes.
O diretor também ressalta que nenhuma licença autorizando esse tipo de trabalho foi emitida pelo poder público municipal.
Espero que o caso não fique restrito à fiscalização da SEDURB, mas seja levado ao conhecimento do Ministério Público e tomadas as devidas providências judiciais cabíveis, pois essa ganância imobiliária que se tem visto em Imbituba está degradando áreas de preservação ambiental.
Muito embora a Lagoa dos Cágados esteja resumida a um banhado, a ação do Poder Público em protegê-la é necessária, pois se ela chegou a essa situação, foi justamente por conta da omissão do Poder Público, que ao longo dos anos permitiu que o esgoto sanitário fosse lançado na rede pluvial, cujo destino era essa lagoa.
Agora, com a instalação da rede de captação de águas pluviais nas ruas centrais de Imbituba, o esgotamento sanitário, em tese, não mais será direcionado para a lagoa, propiciando a sua limpeza e conservação. Com isso, o projeto de construção da praça ao redor da
Lagoa dos Cágados poderá sair do papel.
Abaixo, fotos encaminhadas por dois leitores, os quais solicitaram que seus nomes não fossem divulgados.
Espero que na próxima vez que eu fale sobre essa lagoa seja para mostrar as obras da praça.
(A edição e revisão do texto em destaque são de responsabilidade da diretoria de comunicação da prefeitura de Imbituba)