Mais uma vez o
blog teve uma pausa. O último
post foi quase um copia e cola. No facebook, escrevi:
Tomei chá de sumiço no Twitter; tô devagar no Face e tomei doril no blog. Hora de ser um pouco egoísta e de pensar em viver minha vida. Ficar remando contra a corrente, feito salmão, não vale a pena. A grande maioria das pessoas não quer saber de coletividade, mas de seu mundinho comodista. Então, cada um seja responsável no futuro por sua omissão no presente.
Foi um desabafo... num momento em que minha mente estava sendo torturada por reflexões que faço diariamente, diante das imagens que vejo!
Talvez, eu esteja louco. Ou apenas, despido de sentimentos mesquinhos, consiga enxergar além do que a maioria das pessoas pretende ver.
Em pouco menos de um ano é tempo suficiente para conhecermos o lado mais sombrio dos seres humanos. E a mentira e a dissimulação são as armas usadas para nos levar a saciar desejos mercenários de outrem... ou seus próprios.
As lágrimas nos meus ombros e as lamentações e angústias nos meus ouvidos são apenas vestígios dos amigos que eu nunca tive.
Quando o ego torna-se maior que o caráter, a razão deixou de fazer parte dos atos e a consciência já não existe há muito tempo.
Os princípios, ao que parece, não resistem a simples desejos. O suborno moral os corrompe.
E o grito do desespero da verdade que não se pode dizer? São cegos ou surdos? Melhor calar, porque minha voz não é ouvida. Mas sei que o silêncio, certamente, me transformará em mais uma vítima.
A desesperança torna-se mais dolorosa quando nem as pessoas que confiamos segredos acreditam neles. Mas exigem nossa confiança e nosso respeito.
Não sei como será este blog de hoje em diante. Muito menos sei se conseguirei manter os leitores que visitam estas páginas. Não me interessa mais nada disso. Contudo, como sempre gostei de escrever, e através desse vício compartilhar minhas opiniões, continuarei para, apenas, sentir um pouco de liberdade. E quem sabe um dia poder dizer: eu avisei!
O poema abaixo reflete meu atual estado de espírito. E aproveito o teor dele para transmitir aos leitores de boa índole e inteligentes a mensagem que eu não poderia escrever de outra forma. E espero que eu possa realmente fazê-los entender o que eu quero que entendam.
No caminho, com Maiakovski (Eduardo Alves da Costa - Niterói, RJ)
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakosvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!