Quem se interessa por notícias políticas, tem conhecimento que está sendo criado um novo partido político, o PSD-Partido Social Democrático. O nome que mais se destaca na idealização dessa nova sigla é o do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que era do Democratas.
O partido ainda não foi registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral, mas nomes de peso de diversas outras siglas partidárias já anunciaram que se filiarão à nova agremiação.
Tenho falado muito sobre isso no twitter, mas não havia escrito nada aqui no blog. Falarei, agora.
Pelo que tenho lido, José Serra (PSDB) tem mantido o silêncio diante dessa turbulência política que está se transformando em um buraco negro produzido por Kassab. Tal qual esse fenômeno astronômico, o PSD suga para dentro de si vários políticos importantes de siglas como o DEM, PSDB, PPS e até PMDB.
Para mim, José Serra também está por trás desse movimento, pois, se não tem interesse nesse momento, poderá ter futuramente, como candidato a presidente, já que sua candidatura poderia não emplacar dentro do PSDB, pois Aécio Neves, seu correligionário, tem interesse na mesma candidatura.
Posso estar errado em minha opinião, mas não é absurda.
Em Santa Catarina, o governador Raimundo Colombo já sinalizava que não ficaria no Democratas. Teria dado um ultimato: ou se concretizava rapidamente uma fusão entre DEM e PSDB, ou ele rumava ao PSD. Repito o que falei no twitter: o governador sabia que a fusão era impossível de forma rápida, mas ninguém poderia dizer que ele não apresentou alternativas.
Ontem, Colombo confirmou que será mais um governador nas fileiras do novo partido.
Em decorrência da posição do governador, que já é cotado para ser presidente da sigla, a ele se juntam inúmeros deputados do Estado, não só do DEM quanto também do PSDB, como é o caso do deputado federal Jorginho Mello, aquele que recebeu 4.897(!) votos em Imbituba, tendo como principal cabo eleitoral o prefeito José Roberto Martins (PSDB).
Do DEM, saem os deputados estaduais Darci de Matos, Gelson Merísio, Ismael dos Santos, Jean Kuhlmann, Jorge Teixeira e José Nei Ascari, além dos federais Paulo Bornhausen, João Rodrigues e Onofre Santo Agostini.
Sem dúvida alguma o PSD passa a ser uma das siglas mais fortes do Estado.
Descendo ao nível municipal, a questão, no meu ponto de vista, mostra-se bem mais complexa, quando o tema é eleições municipais 2012.
Enquanto o prefeito, pelo que ouvi, permanecerá no PSDB, o vereador licenciado e atual secretário da SDR-Laguna, Christiano Lopes de Oliveira, anunciou sua transferência para o PSD, como previsto. Christiano já havia afirmado que seguiria o governador, quando se especulava sobre a possível transferência deste para o PSD. Diferente disso seria ilógico.
Pelo
twitter, hoje, numa mensagem postada por
@joaomoraesfilho, soube que Christiano deu entrevista em uma rádio local e afirmou que sua ida para o PSD, dentre outros motivos, seria sua indignação com o mensalão que ocorreu em Brasília, promovido por políticos de seu partido, o DEM. Cada um justificando sua transferência.
Mas voltemos à política paroquial. Vamos conjecturar um pouco.
Diante dessas mudanças que orbitam o PSD, poderia-se afirmar que haverá um candidato a prefeito por esse partido, em 2012, que será Christiano Lopes de Oliveira. Poderia-se afirmar, porém, que os votos de Jorginho Mello migrariam para esse candidato a prefeito? Na minha opinião, não. Jorginho não tem base aqui. A base era formada pelo prefeito e seus cabos eleitorais, que, em princípio, permanecerão no PSDB.
Mas essa aglutinação de forças no PSD favorece a candidatura de Christiano Lopes? Numa rápida leitura é possível responder sim.
Contudo, há questões que nascem após se passar o arado e mexer essa terra: todo o DEM imbitubense acompanhará a candidatura de Christiano? Ou será que os que permanecerem no partido apoiarão uma outra candidatura?
Há o outro lado da moeda. E se parte do PSDB estadual, que se aliará ao PSD, enfraquecer o municipal? E desse resultado fortalecer a candidatura do PSD em Imbituba?
Mas há mais lados a serem vistos. Uma moeda não pode, portanto, representar essa situação fática.
Suponhamos que o PSDB e DEM proclamem a tal fusão que foi amplamente sugerida em nível nacional.
Muda tudo novamente por aqui. Aí, teria-se uma fusão do PSDB mais o que sobrou do DEM+PMDB(?)+PP+PPS.
E, se por acaso, ocorrer no município a miscelânea que está acontecendo em nível nacional? Haveria possibilidade de coligar PSDB+DEM+PSD+PPS+PP? Haveria espaço para o PMDB?
Pior que jogo de xadrez!
E como fica a questão legal do novo partido diante de uma coligação?
O STF, na semana passada, decidiu que o mandato pertence à coligação. Logo, o suplente da coligação e não do partido assume a cadeira vaga no Poder Legislativo, quando o titular se licenciar para assumir outro cargo.
O STF afirmou que uma coligação tem as características de um partido. Sendo assim, se em determinada cidade um partido inteiro filia-se ao PSD, como ficam os vereadores daquele partido que se elegeram beneficiados pela legenda da coligação da qual faziam parte? Perdem o mandato? Creio que não. Se o eleito não perde seu mandato ao migrar para um novo partido, a mesma regra deve ser estendida a quem foi eleito pela coligação.
Resumindo. Toda essa transformação político-partidária que está acontecendo no Brasil não vai mudar nada do que está estabelecido. Para nós, cidadãos, não vejo nenhuma mudança que possibilite melhorar a imagem da política brasileira diante de nossos olhos.
A criação do novo partido pode representar, no máximo, um lava-pés ou um perfume, mas nunca um banho geral. Cada um dos políticos levará para o novo partido os seus defeitos; não há como deixá-los na sigla anterior. O partido poderá ser novo, mas os políticos...
Na minha opinião, estão trocando as roupas, apenas.
Atualização em 08/05/11
No fim desta semana, Jorginho Mello (PSDB) anunciou que permanecerá no partido, recuando em sua posição de se filiar ao PSD.