Há alguns anos tenho conhecimento que alguns moradores da cidade protestam e não são ouvidos a respeito da poluição que atinge suas casas. Eu acreditava que essa poluição se restringia apenas à poeira, mas com um fato que ocorreu na semana passada (30), constatei que vai muito além disso.
Recebi de um leitor as fotos e a mensagem abaixo:
Uma grande mancha escura que pode ser pó de carvão coque.
Pela manhã, quando avistando de longe, achei que era um manchão de manjuvas (filhotes de sardinhas).
Por volta das 11 horas, um amigo meu, que também é pescador, me ligou relatando que tinha uma grande mancha de óleo vinda da direção do Porto de Imbituba.
Chegando no local, me deparei com uma grande mancha escura. Quando a grande mancha escura chegou à praia, vi que não eram manjuvas nem óleo, mas, sim, pó de carvão coque, que não deixa de ser um derivado de petróleo.
DEFINIÇÃO DO COQUE DE PETRÓLEO
O coque de petróleo ("petroleum coke" ou "petcoke") e um combustível fóssil sólido, derivado do petróleo, de cor negra e forma aproximadamente granular ou tipo "agulha", e que se obtém como subproduto aquando da destilação do petróleo (no fundo da coluna de destilação), num processo designado "cracking" térmico. Este produto representa cerca de 5% a 10% do petróleo total que entra na refinaria.
Basicamente é como se fosse um carvão, mas do qual foi retirada a matéria volátil, para se obter o coque. As suas características como combustível advém da sua fácil liberação de energia térmica no processo de combustão.
Perguntei ao leitor se a mancha teria sido provocada pelo depósito de coque da Votorantim. Ele me respondeu:
Pode ser da correia que passa por baixo do cais. Alguns amigos meus que trabalham na I.L.P. me relataram que se acumula um pó muito fino nos cantos da correia e nos rolos embaixo da correia. E também poderia ter sido ocasionada ao se varrer o cais e o navio.
O deposito de coque da Votorantim no Porto de Imbituba é uma vergonha. Se você for no morro perto do depósito, vai notar o quanto tem de pó de carvão coque que se entranha na mata. Eu já vi turistas saírem com as roubas sujas de coque, sem falar da má impressão que deixa da nossa cidade.
Em anexo vou mandar algumas fotos que você vai ver que a Votorantim não tem o mínimo de cuidado com o coque. Agora, será que a Votorantim Cimentos vai ter o mesmo cuidado como tem com o coque???
Leitores, como fui informado que o coque em depósito da Votorantim seria o coque verde de petróleo, efetuei pesquisas sobre os problemas de saúde que a poeira do coque pode causar. Fiquei preocupado: câncer de laringe!
Recortei parte de um trabalho acadêmico:
O CVP-Coque Verde de Petróleo embora seja um subproduto do processo de refino, ganhou valor
comercial e passou a ser comercializado como combustível em fornos e caldeiras, sendo utilizado em cimenteiras, indústrias de cerâmica, calcinadoras de gesso e outras. Ele possui em sua composição elementos tóxicos presentes no petróleo, tais como enxofre, metais pesados e hidrocarbonetos voláteis. A sua utilização como fonte energética gera, dentre outras substâncias, dioxinas e furanos, reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde como carcinogênicos (SANTI, 2003).
Já foram publicados vários trabalhos que mostraram o aumento do número de casos de leucemias agudas e crônicas devido à exposição ocupacional a essas substâncias.
Dentre as doenças ocasionadas pela exposição temos as síndromes mielodisplásicas (SMD), que são doenças hematológicas clonais com apresentação heterogênea que implica em evolução para insuficiência medular e progressão para leucemia aguda (AUGUSTO, 1991; MAGALHÃES; LORAND-METZE, 2004)
Para quem quiser ler mais sobre os problemas causados à saúde, clique
aqui e
aqui.
Fui informado de que a Fatma e IBAMA coletaram amostras no mar para saber qual a composição da mancha escura observada na Praia do Porto.
Os moradores que mais sofrem com a poeira do coque são os da Av. Presidente Vargas, mais conhecida como a Rua de Baixo.
Quando a
Votorantim vai resolver esse problema?
Atualizado às 13h00 do dia 04/04/11: leia nota da Companhia Docas de Imbituba sobre este fato. Clique aqui.