Por Alisson Raniere Berkenbrock.
Nada me perturba mais que a inércia. Refiro-me à inércia das grandes massas populares. O comodismo diante de situações revoltantes, diante dos escândalos diários que acompanhamos pela mídia nacional e internacional. No fundo, fico mais irritado com a inércia do povo do que com os abusos cometidos com o dinheiro público, abuso de poder, deboche da população.
Esse mês (dez/2010) foi noticiado dois casos de agressões a professores, onde um, infelizmente, foi morto por um aluno descontente pelas péssimas notas que vinha tirando, e, em outro caso, uma professora brutalmente espancada por seu aluno, pelo mesmo motivo.
Tudo isso me levou a pensar, repensar e ficar dias tentando encontrar o motivo de tudo isso, a origem para tanto ódio e desrespeito por uma classe tão nobre. Inevitavelmente uma coisa ligou-se à outra. A tolerância ao crime e corrupção, fruto da inércia popular, dá a esses marginais a sensação de que tudo podem, de que a sociedade não dará a mínima para aquilo que fizerem e que em poucas semanas seus atos covardes serão esquecidos. E é a mais pura verdade.
Sem pesquisar no Google, alguém saberia me responder qual foi o crime que tirou do poder o presidente Collor? Lembram ao menos do nome do relator da CPI que culminou no impeachment do até então presidente? Aquele deputado que foi presidente de um clube de futebol do Rio Grande Do Sul, que anos depois também foi envolvido num grande escândalo de fraude e corrupção.
Tenho certeza que poucos se lembram desse nome.
Bom, o caso é que esquecemos muito fácil dos tapas que levamos. Talvez por não sentirmos a sua real força, pois a grande maioria da população está anestesiada com a ração que o governo oferece há décadas. Seja em forma de bolsa esmola ou até mesmo programação televisiva que visem a apenas programar o telespectador. É a filosofia adotada por grandes tiranos do império romano: deem pão e circo que a plateia fica ocupada e nada sente.
Lembro-me de incontáveis casos de corrupção nesses anos de governo Lula e, como em passe de mágica, as denúncias dissiparam-se e tudo caiu no esquecimento. Chamo esse “passe de mágica” de jogadas de marketing (quem puder, leia “A era dos escândalos”, de Mário Rosa).
Sinto meu sangue ferver toda vez que recordo desses casos de grande impacto para nossa sociedade. Sinto-me um coelho governado por raposas e cercado por frangos que, alheios ao que está por acontecer, ciscam o chão em busca de vermes ou se alimentam de ração oferecida por aqueles que se alimentaram deles.
De qualquer forma, a sensação de impotência é quase sempre presente, mas se torna mais forte quando me lembro da copa de 2014 e das olimpíadas de 2016, datas em que os gatos cochilarão e os ratos farão a festa.
Enquanto isso, sigo caminhando, berrando, fazendo minha pequena parte, na esperança de que um dia os sinais de TV caiam, os rádios não funcionem mais, a internet não conecte mais a humanidade ao mundo. Quem sabe nesse dia todos se reúnam num só grito e digam basta.
Utopia, sei disso, mas enquanto houver esperança, haverá um tolo para lutar.