Leitores, quando colocamos o lixo doméstico em um saco plástico e o levamos até a frente da casa, para ser recolhido pelo caminhão, agimos dessa forma sem nos importarmos para onde ele vai. O que será feito com ele não nos interessa. O importante é que ele saia de nossa casa.
Quando se trata de restos de construção e pagamos para que os "tele entulhos" os removam, nem perguntamos para onde serão levados. A nossa indiferença para com o destino de tudo isso espelha a nossa preocupação com o
meio ambiente.
No último dia 02, foi aprovada legislação que recebeu o nome de
Lei dos Resíduos Sólidos, que estabeleceu procedimentos importantes para a preservação do meio ambiente. A lei tramitou no Congresso Nacional por longos 20 anos.
Os ambientalistas mostram-se céticos quanto à aplicação e à fiscalização dessa lei.
"É certo, desde já, que os governos municipais, a partir desta sanção, deverão elaborar um Plano Integrado de Resíduos Sólidos. Neste documento, os municípios terão de diagnosticar a situação dos lixões e estabelecer metas para reciclagem de materiais, além da criação de aterros sanitários adequados. Para isso os municípios receberão verba do governo federal. Porém, esse recurso só será liberado mediante apresentação do plano.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê ainda o fim dos lixões a céu aberto (...). E ainda proíbe a presença de catadores de lixo e da criação de animais nos aterros sanitários onde os resíduos serão armazenados." (fonte: assessoria de imprensa da Amurel)
A lei também prevê a coleta seletiva de lixo, ou seja, a coletividade teria de separar cada tipo de lixo, de modo a favorecer a reciclagem de todos os resíduos coletados.
A Companhia Docas de Imbituba e o Jornal O Popular Catarinense são parceiros do programa, e uma vez por semana um artigo é publicado nesse jornal incentivando a coleta seletiva de lixo.
A partir da iniciativa do vereador, a prefeitura municipal se propôs a apresentar projeto de lei que instituísse no município a coleta seletiva. Entretanto, passados dois anos, o projeto não foi enviado à Câmara.
No ano passado, a engenheira ambiental Clarice dos Santos Rodrigues apresentou à administração pública de Imbituba sua monografia de conclusão de curso de graduação, cujo trabalho foi publicado no
site da prefeitura municipal. Ela apresenta as formas de redução do lixo gerado pela população e afirma que a seleção do lixo proporciona não só benefícios sociais e ambientais, como também econômicos, diminuindo drasticamente os gastos públicos com coleta de resíduos.

O lixo doméstico de Imbituba é levado para o município de Laguna-SC, depositado em um aterro sanitário. Antes de ser levado para lá, uma boa parte é separada na Cooperzimba-Cooperativa dos Catadores de Material Reciclável de Imbituba. Para saber mais sobre isso, acesse o artigo publicado no
blog Babilonia Eletronika.
O óleo de cozinha usado, quando lançado em local impróprio, poluirá de forma extremamente nociva os lençóis d'água. Basta um litro de óleo para poluir um milhão de litros de água.
Um programa recente, lançado no ano passado em Imbituba, visa à coleta de óleo usado, conforme você pode ler no
blog Reciclagem da Solidariedade. O óleo recolhido é vendido e a renda é revertida para o Hospital São Camilo. Os pontos de coleta também estão definidos no
blog. Atualmente, apenas 100 litros/mês são coletados. O preço por litro é R$ 0,25.

Enquanto para esses dois tipos de resíduos há alguma solução, o mesmo não acontece para os restos de construção.
Em julho de 2009, o secretário Jaison Cardoso anunciou em entrevista radiofônica que a prefeitura pretendia adquirir um triturador para tentar solucionar o problema envolvendo esse tipo de resíduo sólido. O triturador, segundo informou Jaison, custaria cerca de R$ 110.000,00. O triturador ainda não foi comprado.
Há alguns dias, soube que boa parte dos restos de construção da cidade estavam sendo levados para um "buraco" existente ao lado do CAIC, onde funciona a Escola Básica Municipal José Vanderlei Mayer.
Fui até o local (fotos 1 e 2) e constatei que não só os entulhos estão sendo depositados lá, mas também pneus, carcaças de computador, peças eletrônicas, lixo doméstico e uma infinidade de
outros resíduos, exalando odor indesejável.
Embora seja uma propriedade privada, o local está se transformando em verdadeiro aterro sanitário, sem possuir licença ambiental ou autorização da própria prefeitura municipal. E tendo em vista de ser
vizinho de uma
escola, entendo que esse "depósito" não pode continuar funcionando no local sem ser especificado pelos órgãos públicos quais materiais podem ali ser despejados.
Em pesquisa que venho realizando desde o início do ano, pois pretendia publicar este artigo sobre o tratamento de resíduos sólidos resultantes de construção, reforma e demolição de imóveis, encontrei boas informações que orientam sobre a instalação de uma usina de reciclagem desses materiais.
Contatando um proprietário de um dos tele entulhos de Imbituba, informou-me que há material suficiente na cidade que justifique a instalação de uma usina.
Penso, porém, que a usina atenderia não só a Imbituba, mas também às cidades vizinhas.
Pelas pesquisas que efetuei, o Estado de Minas Gerais parece ser o que está à frente no tratamento dos resíduos sólidos originados na construção civil. Em Belo Horizonte-MG, a usina (fotos 3 e 4) atendeu à situação emergencial, pois havia o esgotamento da capacidade de recepção desses materiais em aterros sanitários.
Apresento aos leitores interessados no assunto alguns links sobre usinas de reciclagem de restos de construção, que após reciclados passam a ter inúmeras utilidades, desde a pavimentação de estradas a custo bem mais barato até a construção de casas.
Dependendo do tamanho da usina, ela poderá exigir um investimento entre R$ 140 mil a R$ 500 mil, mas mesmo sendo uma usina grande, o número de empregados necessários é bem pequeno.
Na minha opinião, depois de ler um pouco sobre isso, o investimento não é alto e os benefícios e lucro são enormes.
Há ainda a possibilidade de a prefeitura conseguir dividir o custo do investimento. Conforme publicado na revista
Isto É Dinheiro (jun/2009),
a cidade de Osasco-SP implantou uma usina (foto acima) com a participação da
Fundação Banco do Brasil, que investiu R$ 582 mil. A cidade foi a primeira do país a transformar
entulho em asfalto.
Se está sendo previsto um desenvolvimento rápido para o município, com a ampliação do Porto de Imbituba e a vinda de outras empresas em decorrência desses investimentos portuários, é extremamente salutar que a administração pública - se ainda não projetou - comece a pensar em alternativas para o destino que se dará ao lixo da cidade.
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