Leitores, você já deve ter observado a quantidade de bailões que existem em Imbituba. Praticamente, todos os dias tem um bailão em algum lugar.
E o que isso tem a ver com o título desta postagem? Nada! Nada mesmo, porque bailão, como temos visto por aqui, não é cultura. O que se está vendo em Imbituba é um alto consumo de bebidas alcoólicas e de drogas. Além de coisas que nunca se viu antes por aqui.
Inicialmente, nos primeiros anos, os bailões visavam ao público de idade mais avançada, começavam e acabavam cedo. Com o tempo, tornaram-se atrativos até para jovens.
Pessoas de idade avançada passaram a frequentar esses bailões como diversão, mas os locais transformaram-se em oportunidades para coisas que não tem nada de divertido.
Pelas ruas, já é comum ver homens e até mulheres idosas cambaleando, embriagadas, no retorno para casa. Os bailões mudaram a rotina de muitas famílias. Pra pior.
O trecho entre o Plec e o Clube do Tio Paulão, em dias de bailes, passou a ser de alta periculosidade. Inúmeras pessoas caminhando sobre a via, pois não há calçadas ou ciclovia. Veículos e táxis, às dezenas, estacionados sobre os canteiros. Pessoas, displicentemente, transitando de um lado para o outro da avenida, ignorando as chances reais de atropelamento. Pura desordem! Tamanha irresponsabilidade.
Para mim, os bailões estão ocupando o espaço que a falta de investimentos na cultura deixou aberto.
E o que falta para essa cidade investir em cultura? Verba, pessoas competentes, interesse, ideias? Seja lá o que for, apresento minha sugestão para termos atividades culturais suficientes para que a população possa ter diversão saudável e, ao mesmo tempo, possa amparar os profissionais da cultura e descobrir novos artistas.
Antes, tínhamos uma fundação de cultura em Imbituba. Hoje não temos mais. Com ou sem fundação, não vemos nenhum investimento nessa área. Imbituba é uma cidade com vários autores de livros, artistas, músicos e não há sequer um centro cultural. Artesãos e pintores de quadros não têm onde expor seus trabalhos. Não há espaço para
peças teatrais. Não há atividades culturais na cidade. Enquanto isso, os bailões se proliferam.
Minha sugestão é de recriar a fundação de cultura com o objetivo principal de construir um espaço cultural, mantendo oficina teatral, aulas de instrumentos musicais, atelier.
Seria também atribuição da fundação a proteção e restauração dos
prédios históricos tombados e a preservação da
História da cidade através de acervo de fotos, assim como manter vivas as tradições culturais do município, seus costumes e culinária.
Sugiro que o quadro de funcionários dessa fundação seja formado, em sua maioria, por pessoas que tenham ligação com essa área.
A verba necessária para a manutenção da fundação viria através de convênios com os outros níveis governamentais e por meio de aprovação de lei que determine que todas as
entidades de utilidade pública com sede em Imbituba destinem um percentual entre 10% e 20% de todo dinheiro público que receber, seja ele do município, Estado ou União. Afinal de contas, não é pouco dinheiro que a prefeitura disponibiliza a essas tais entidades, que muitas vezes em quase nada contribuem para a sociedade. Ademais, quase todas essas entidades têm em seus estatutos alguma cláusula referindo-se à cultura.
Seja criada também uma contribuição compulsória a ser paga pelos clubes, por cada evento realizado, destinando toda a arrecadação para a fundação cultural. Essa contribuição poderá ser com base na bilheteria ou a partir de outra origem que a lei estabelecer.
Imagine, leitor, quanto se arrecadaria em Imbituba, mensalmente, se cada clube destinasse à fundação, por exemplo, R$ 200,00 por cada baile realizado.
Espero, com esta postagem, que as pessoas que podem fazer e aquelas que querem fazer aprimorem as minhas sugestões e viabilizem o projeto, pois Imbituba não pode esperar mais.
(Fotos: 1ª) extraída do blog do grupo teatral imbitubense Desmontagem Cênica; 2ª) do site portal do divino - foto em Imbituba; 3ª ) usina da Indústria Cerâmica Imbituba - foto feita por César de Oliveira; 4ª) do portal do governo de SC - foto em Florianópolis)