Leitores, trabalhei na ICC e vi o que representou essa indústria para Imbituba, pensando-se em economia. Mais de mil empregos diretos e indiretos. Muito boa infraestrutura viária de acesso à cidade. Grande investimento em água potável, fazendo com que Imbituba, na época, fosse - e ainda é - uma das pouquíssimas cidades do Estado a possuir uma estação de tratamento de água da
Casan. O comércio alimentou-se e desenvolveu-se na era ICC. De repente, a empresa transformou-se no patinho feio, porque "só poluía". Cuspiram no gamelão, após encherem a barriga. Não à ICC! Sim ao turismo! E, agora? A Votorantim será a nova
ICC?
Sem nenhum alarde, em maio deste ano, aprovaram na Câmara de Vereadores, por unanimidade, a mudança do plano diretor da cidade, fazendo com que a área ao ladinho de Vila Nova Alvorada, ali próximo ao antigo lixão, deixasse de ser zona residencial para ser industrial nível máximo. Sabia-se que a mudança objetivava abraçar a Votorantim. Nada divulgou-se naquele momento. Por falta de tempo, também deixei de escrever sobre isso naquela ocasião.
Nesta semana, a notícia alvissareira toma conta da
mídia local e estadual: a Votorantim instalará uma fábrica em Imbituba. Gerará 500 empregos, direta e indiretamente. Investimento de R$ 90 milhões. Não vai poluir. haverá "modernos sistemas para controle de emissão de resíduos, com padrão muito abaixo (
sic) dos previstos pela legislação brasileira".
Sinceramente, leitores, espero que o padrão seja muito acima do que é exigido pela legislação, mas foi assim que escreveram na matéria, cuja a afirmação teria sido do presidente da câmara - mero erro de expressão (leia atualização publicada ao fim desta postagem).
Espero, também, que as casas não fiquem com seus telhados todos brancos, ou cinzas ou de qualquer cor de poluição. Espero que possamos continuar respirando o ar puro que ainda podemos dizer que temos. Oxalá o empreendimento traga benefícios à cidade e que não seja um presente grego.
Tratando-se de uma fábrica de cimento, seja ela apenas um misturador ou não, todo cuidado é pouco. Principalmente para quem a terá como vizinha. Não podemos simplesmente abrir os braços para qualquer empreendimento que venha a ser feito em Imbituba, só porque vai render centenas de empregos.
Em época de proteção ao meio ambiente, principalmente quando o que está em risco é nossa saúde, melhor ficarmos atentos e sabermos exatamente, antes que ela se instale, qual o nível de poluição será causado por essa empresa.
Desejo muito que a fábrica da Votorantim não seja mais uma ICC. Quiçá o sonho não se transforme em pesadelo.
Mas diante do fato, pergunto: afinal de contas, queremos ser um município industrial ou turístico?
Para finalizar, uma coisa assusta-me na alteração que foi feita no plano diretor da cidade. Imagine que você compre um imóvel em uma área residencial de Imbituba, justamente porque você deseja morar numa área exclusivamente residencial. De um dia pro outro, um projeto é enviado à câmara de vereadores e se decide que onde você mora passará a ser zona industrial! Aí, leitor, resta sentar na porta da casa e chorar! Ou alguém sabe de outra alternativa?
Atualização em 19/06/10: Leitores, cometi um erro nesta postagem. A frase "
modernos sistemas para controle de emissão de resíduos, com padrão muito abaixo (sic) dos previstos pela legislação brasileira" não foi dita pelo presidente da câmara. A frase completa exposta na
matéria publicada na internet é: "
A moagem será dotada dos mais modernos sistemas para controle de emissão de resíduos, segundo os diretores, com padrão muito abaixo dos previstos pela legislação brasileira." Imediatamente após essa afirmação, havia um comentário do presidente da câmara. Ao ler rapidamente o texto, cometi um erro de interpretação, pelo qual peço desculpas.