Parece que naufragou de vez a tríplice aliança em Santa Catarina. Ao que transparece, será cada um por si e Deus contra todos. No primeiro turno, é claro! Depois, juntarão os cacos — interpretem "os cacos" como quiserem — e formarão aquela corja união para vencerem na segunda etapa.
Na última pesquisa de que tenho notícia — porque nunca estive tão desmotivado para votar em uma eleição estadual —, a candidata Ângela Amin (PP) aparecia em primeiro lugar, com 24,3%, seguida de longe por Ideli Salvatti (PT), com 13,7%, Raimundo Colombo (DEM), com 12,5%, Eduardo Pinho Moreira (PMDB), com 12%, e o atual governador, Leonel Pavan (PSDB), na lanterna, com 11,8%. A pesquisa foi realizada entre 6 e 8 de abril. No início do mês de maio deve sair outra.
Segundo a pesquisa, realizada pelo Instituto Mapa, Ângela Amin dispara, se Leonel Pavan (PSDB) não concorrer. Mas isso já foi definido pelo partido do governador. Pavan é candidato. Mesmo ele possuindo o maior índice (19,6%) de rejeição apurado na pesquisa. O menor é de Colombo (6,6%).
Os resultados apurados apontaram que quando se pergunta ao eleitor em quem ele votará, sem apresentar os nomes dos candidatos, o índice de indecisos chegou a 82,7%. Para mim, isso não diz nada. Se quando se mostram nomes, os pesquisados atiram num, é porque, hoje, já sabem em quem votar.
A tríplice aliança que governou o Estado, formada por PMDB, PSDB e DEM dá sinais de que não será vista novamente, pelo menos nessas eleições. O DEM, o primeiro a deixar o governo, não justificou muito bem sua saída para tentar carreira solo. Eu cheguei até a fazer uma piada no
twitter, dizendo que esse partido é o primeiro a entrar no barco, para não morrer na praia, e o primeiro a pular dele, quando vê que vai afundar.
O PSDB, por sua vez, tem engasgado na garganta as denúncias que surgiram contra o seu maior nome, Leonel Pavan. O prefeito de Imbituba e atural presidente estadual do PSDB, José Roberto Martins, disse no início deste mês, numa entrevista em programa de rádio de outra cidade, que “a denúncia contra Pavan, a partir da Operação Transparência, teve fogo amigo do PMDB e do governo". A afirmação do prefeito, na minha interpretação, não tem uma ou outra escolha. O complemento "e do governo" foi só para não ser direto. Diante dessa "dúvida" de quem teria sido o causador da exposição negativa de Pavan, melhor ficar sozinho, mas melhor ainda é tentar namorar o PP.
Ângela, nessas eleições, é a noiva. E o PP mostrou no último pleito estadual que é um partido muito forte, graças ao carisma que possui o ex-governador Esperidião Amin. Ideli até tentou formar uma dupla de mulheres para essa eleição, mas não foi dessa vez que duas mulheres poderiam chegar ao Palácio Santa Catarina.
Eduardo Pinho Moreira (PMDB) não deve emplacar. Pelo que se vê, está se dando mais importância à candidatura do ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) ao senado, e à possível candidatura de Paulo Afonso (PMDB) para o mesmo cargo, do que arregimentando forças para apoiar Eduardo ao governo. É, tem gente que não acredita que o poder desgasta. Depois de quase 8 anos à frente do governo estadual, o PMDB poderá ficar no fim da fila. E olha que é bom ficarem espertos, pois Amin (PP) é um fortíssimo candidato ao senado. E o PT não vai deixar barato a vaga que possui.
E esse mesmo PT, que tenta pela primeira vez governar o Estado, terá um grande apoio do presidente Lulla — com dois "ll" —, mas Ideli, que conseguiu abocanhar uma vaga no Senado Federal, com seus mais de um milhão de votos, não parece agradar ao eleitorado catarinense, diante de suas enfiadas de pés pelas mãos em Brasília. Aquele beijo na boca de Sarney e outros abraços de amizade collorida podem lhe custar caro.
Contudo, como dizia Magalhães Pinto, "Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou."
Resta esperar até o fim de junho para começarmos a pensar em quem votar em outubro. E, depois das eleições, teremos longos 4 anos, até 2014, para chorarmos de arrependimento.