Filho de família humilde, estudei em escola pública a minha vida inteira, à exceção do período que, sem dinheiro, lancei-me na FESSC (hoje UNISUL) até conseguir o velho "crédito educativo" para poder concluir o meu primeiro curso universitário.
No meu tempo de menino, estudei na Escola Deputado Joaquim Ramos, no bairro Paes Leme, em uma época que professor falava e aluno ouvia. Nos dias em que indisciplina resultava em punições, como ficar atrás da porta e até levar puxão de orelha. Não lembro de ninguém que foi punido sem motivo. Sobrevivi sem sequelas, sem qualquer problema psicológico ou trauma de qualquer espécie, para espanto de muitos psicólogos e suas teorias contrárias a isso.
Naquela época, professor não faltava às aulas e se empenhava em lecionar, embora seus salários fossem muito piores que os de hoje. Meus pais, assim como a maioria dos pais de meus colegas, exigiam dos filhos assiduidade e boas notas, ainda que para isso tivessem que recorrer às varas e aos cintos. A reclamação dos professores eram atentamente ouvidas por esses pais, que endureciam a disciplina em casa, se fosse necessário.
Não existiam greves de professores. Como também não havia merenda. Não havia material escolar, passes de ônibus, nem uniformes gratuitos. Para minha sorte - ou azar - meu pai era empregado da "grandiosa" Indústria Cerâmica Imbituba - essa aí que agora está falida -, a qual, por muitos anos, "doava" aos seus empregados inúmeros cadernos, lápis, uma ou outra caneta, régua e uma caixa de lápis de cor.
A falta de recursos econômicos fez com que eu desse valor ao que se consegue com o trabalho honesto. E a educação rígida recebida no seio familiar ensinou-me a ser uma pessoa íntegra e valorizar e respeitar quem tivesse bom caráter. E as dificuldades vividas não me levaram ao mundo do crime ou das drogas, como muitos costumam justificar seus descaminhos. E começar a trabalhar com 14 anos não foi obstáculo para continuar estudando.
Hoje, a escola pública não passa de um amontoado de crianças expostas a uma educação sem qualidade, salas com excesso de alunos confiados a teorias e programas educacionais que se mostram inúteis, gerenciados por uma legião de políticos corruptos ou sem qualquer comprometimento com o futuro, salvo raros casos. Adicione-se a esses problemas dos estudantes a fragmentação da célula familiar, num cenário que nunca se viu antes.
Se atualmente se recomenda que as crianças devam ficar o dia inteiro em uma sala de aula, para melhor aprender, acredito que isso, no Brasil, não passa de um genocídio de mentes, diante de uma educação falida com professores despreparados, escolas dirigidas por apadrinhados políticos e indisciplina estudantil beirando o caos, que, por consequência, gera essa insegurança que há nos estabelecimentos de ensino atuais (alunos portando e usando facas e armas de fogo, por exemplo).
E vou esclarecer um pouco as minhas severas críticas.
Boa parte dos professores não sabe ler ou escrever, satisfatoriamente. Quantos professores sabem mesmo o que estão lecionando? Quais deles têm consciência da importância social de seu trabalho?
Cursos superiores para formar professores estão em penca por aí! Muitos professores estudaram em cursos supletivos. Esses cursinhos existentes que servem apenas para expedir um certificado de conclusão, tudo pago com dinheiro público. Ou alguém vai me dizer que se aprende tanto quanto num curso normal de Ensino Fundamental ou Médio, se nestes já pouco se aprende?
Aí, o indivíduo, depois de não querer estudar enquanto podia, enquanto tinha todo o tempo do mundo, decide por "fazê o supletivo". Agora, "tá formado". E vai cursar uma faculdade a distância. E depois, graduado, vai lecionar. Vai "ensinar" nossos filhos, leitores! Ensinar o quê?
Isso não passa de um círculo vicioso! Um emburrecimento contínuo e gradativo!
Evidentemente que o problema não está apenas nos professores. Está no sistema. Está na questão social. Está na deterioração dos valores mais basilares da sociedade. Está na desagregação familiar. Está no que se apresenta diariamente nas telenovelas e noutros programas de TV. No que se publica nos jornais financiados com dinheiro público.
O que esperar de uma população que efetua mais de 70 milhões de ligações telefônicas pagas para decidir, no
big brother, quem representa melhor a cara do cidadão brasileito para ganhar uma pequena fortuna? E a família inteira assiste a isso. Como se apresentassem a seus filhos os ídolos - ou heróis, como diz Pedro Bial - a serem seguidos.
A foto deste
post encontrei na internet. Os questionamentos estampados nela devem mesmo ser debatidos. Quem são os verdadeiros culpados por essa falência da educação pública?
(Leia a parte II deste tema. Clique aqui)