Para quem está acompanhando as notícias sobre o pós-prisão das pessoas ligadas ao MST ocorrida em Imbituba, deve estar se perguntando o porquê de se questionar se a ação e as prisões efetuadas pela Polícia Militar foram legais ou não.
O jornal Diário Catarnense e alguns de seus colunistas têm publicado matérias todos dos dias sobre os acontecimentos, e questionando, a partir das manifestações de entidades, políticos e pessoas ligadas a movimentos populares, se as prisões e a ação policial foram cabíveis.
Ainda hoje tentarei publicar um apanhado das notícias mais relevantes publicadas, tanto na grande imprensa quanto nos blogs. Publicarei também as manifestações dos órgãos corporativos da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal.
De imediato, acredito que a discussão sobre o assunto deve ser levada à exaustão e não ignorada, pois tentar minimizar a importância dos fatos, ou até mesmo esquecer tudo isso, é colocar em risco os direitos civis, os direitos humanos e a própria magnitude da Constituição Federal.
Se algo houve de ilegal, os autores devem ser punidos. Se as
pessoas ligadas ao MST cometeram algum crime, devem ser elas também punidas.
Não podemos nos deixar levar por sentimentos de antipatia pelo MST ou por quem quer que seja e, em razão disso, aceitar ações arbitrárias do Estado - se foram produzidas -, pois corremos o risco de sermos as próximas vítimas das arbitrariedades.
Amanhã, pessoas ligadas ao MST estarão nas ruas de Imbituba apresentando a sua versão sobre o que ocorreu aqui. O ato é meramente informativo. O blog
Comissão Pastoral da Terra Santa Catarina, ligado à CNBB, publicou a seguinte nota:
MST realiza ato de esclarecimento em Imbituba nesta sexta-feira, dia 05
Está marcada para esta quinta-feira, dia 4 de fevereiro, no auditório do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região, a partir das 10 horas da manhã, uma coletiva com a imprensa para divulgação do ato de esclarecimento a população marcado para a sexta-feira, dia 05, no centro de Imbituba. O Ato, de finalidade pacífica e informativa, pretende trazer a público a versão dos membros do MST acusados pela PM estadual de planejar invasão de áreas públicas no sul do estado, e esclarecer a população sobre o papel do MST no município.
A manifestação e o direito de organização da sociedade civil são legítimos e amparados pela Constituição Federal. Sendo assim, é mais do que uma obrigação o direito dos representantes do MST de se manifestarem e darem sua versão dos fatos.
As entidades sindicais, sociais e populares de Santa Catarina, que apóiam a luta dos trabalhadores sem terra, convidam os veículos de imprensa e a sociedade catarinense a participar da coletiva de imprensa nesta quinta e do ato público marcado para a sexta-feira.
Leitores, para que tenhamos nossa própria opinião sobre os fatos, devemos ouvir/ler a versão de cada ator desse imbróglio.