Por Arrison BerkenbrockPodemos afirmar que vivenciamos, no cenário nacional, a consolidação do regime democrático como forma de governo. A democracia é quase um consenso, muito embora os políticos que nos governam sofrem com uma das mais profundas e agudas crises de legitimidade. Não questionamos os pressupostos básicos da democracia (o poder emana do povo e é exercido pelo mesmo), mas interrogamos àqueles que, digamos assim, “representam” a vontade do povo que, em tese, é o verdadeiro protagonista do jogo democrático. E, de igual modo, protestamos contra o atual modelo democrático (democracia representativa) que, por vezes, restringe a noção de liberdade e cidadania.
As manifestações contrárias à democracia representativa apontam para a necessidade de ladear ou até mesmo substituir esse modelo por mecanismos de democracia direta, em outras palavras, mais do que participar do pleito eleitoral, o cidadão deve deliberar e decidir a respeito das questões públicas. É certo que, a proposta da universalização da democracia direta se configura insensata. Pensemos no Brasil. Se para cada lei aprovada fosse preciso a consulta de todos os cidadãos, muito provavelmente ficaríamos em tempo integral decidindo. Mas, como dizia Goethe: “se me perguntares como é a gente daqui, responder-te-ei: como em toda a parte. A espécie humana é uma desoladora uniformidade; a sua maioria trabalha durante a maior parte do tempo para ganhar a vida, e, se algumas horas lhe ficam, horas tão preciosas, são lhe de tal forma pesadas que busca todos os meios para as ver passar. Triste destino o da humanidade!”.
Até mesmo um dos espíritos mais apaixonados pela democracia direta, Jean-Jacques Rousseau estava convencido da impossibilidade da construção de uma verdadeira democracia. Lembremo-nos de suas palavras: “Se existisse um povo de deuses, governar-se-ia democraticamente. Mas um governo assim perfeito não é feito para os homens”. (Do Contrato Social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Abril, “Os pensadores”, 1973).
Partindo do pressuposto que a efetivação da democracia direta é uma prerrogativa dos deuses, a pergunta que fica é a seguinte: o jeito é nos contentarmos com a atual democracia representativa? A resposta é clara, não! Se não podemos ter uma democracia direta, pelo menos, está ao nosso alcance amadurecer este paradigma. Incentivar a participação direta, embora de maneira limitada, através de plebiscitos, referendos, orçamento participativo, bem como criar espaços de debates no círculo social é um bom começo.
Muitos leitores podem estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com o aniversário do blog Pena Digital? Pois bem, este blog é um daqueles poucos espaços na sociedade que fomenta o livre pensar e o debate. Trata-se, portanto, de uma verdadeira ágora virtual que possibilita aos leitores externar suas ideias, projetos e, até mesmo, suas frustrações. Estamos falando de um ambiente genuinamente democrático, que busca mediante a discussão de ideias, a construção de uma sociedade mais justa e livre. Dito de outra forma encontramos, aqui, uma contribuição para o desenvolvimento e, sobretudo para o amadurecimento da democracia!
Parabéns ao idealizador do projeto; parabéns a todos aqueles que fazem deste blog uma oportunidade não para vencer debates, mas para encontrar a verdade. Parabéns à democracia que encontrou neste projeto uma oportunidade de respirar a plenos pulmões! Avante!
(a foto é a imagem de um dos maiores comícios do Movimento Diretas Já)