
Fiquei surpreso com a nota divulgada no jornal Popular Catarinense, dia 09, assinada por Júlio Attanásio, ex-presidente do PMDB de Imbituba.
A nota, em tom de desabafo e denúncia, traz críticas ao próprio partido e seus dirigentes, expondo os problemas de um PMDB que não consegue mais aglutinar seus filiados e mandatários. A nota, intitulada "A Verdade", foi consequência da eleição ocorrida no dia 4, para a composição do novo diretório municipal.
Dizia o texto:
Na composição da Chapa "ÚNICA" para o diretório municipal foi um absurdo o que aconteceu. Os ex-gigantes do PMDB Selma Elias, Osny Souza Filho, Valdir Rodrigues e Luís Gonzaga de Ávila, eternos rivais e desafetos se uniram. Não se sabe até quando e ficaram com 35 vagas no diretório para poder obter o controle do partido. Mas se enganaram, pois 10 PMDBISTAS autênticos que nunca usaram o partido em benefício próprio resolveram lançar uma chapa de oposição para concorrer à diretoria executiva de onde obtiveram 13 votos espontâneos e não de cabresto. A chapa dos 10 autênticos do PMDDB foi compostosta por: Almecy de Carvalho - ex-vereador; Dilson Lopes de Jesus - ex-presidente do partido por 2 gestões; Cláudio do RX - vereador atual e o mais votado da história do partido; Júlio Attanásio - ex-presidente; Luís Vieira - candidato a vereador; Eliene Martins Custódio - ex-vereadora; Jailson Teixeira - ex-secretário; Henrique Lage - membro atuante do PMDB; Maurício Rocha - militante atuante do PMDB.
Estas pessoas pela credibilidade que têm, estão recebendo apoio inconteste de muitos PMDBISTAS, de vários deputados estaduais, federais, prefeitos, lideranças e também de outras siglas partidárias do município de Imbituba que ligam parabenizando pela posição tomada. A partir desta data estes 10 autênticos e muitos outros que virão se juntar ao grupo ficarão vigilantes aos atos do partido e nada mais será tratado na surdina.
Para concluir, onde os ex-gigantes querem chegar? Elegeram para presidir o PMDB um político que passou pelos seguintes partidos: ARENA, PDS, PRP, PFL, PP, PRTB e agora PMDB.
O grande PMDB de Imbituba que já serviu de referência para o estado de Santa Catarina, pela sua organização, luta e conquista, hoje perdeu a sua identidade e está desfigurado.
Atenciosamente
Júlio Attanásio e os demais
Logo abaixo dessa nota, foi publicada uma outra, intitulada "REPRESENTAÇÃO" e assinada por Júlio Attanázio:
Será encaminhada uma representação contra o Pedro Machado Filho, junto ao Diretório Estadual solicitando a impugnação do mesmo por este estar inelegível até 2011 pelo fato de haver uma condenação transitada em julgado do período em que foi gerente da Casan em Imbituba.
Júlio Attanázio
Para quem não sabe, Pedro Machado Filho foi o vencedor da eleição do partido para presidente.
Após ler tudo isso no jornal, fiquei pensando: será que isso também contribuiu para a
rejeição do nome de Osny junto ao Conselho Administrativo da Celesc?
E enquanto o PMDB esfacela-se, inúmeros filiados seus assinaram ficha no PSDB, na semana passada, para alegria de uns e tristeza de outros.
A grande verdade nisso tudo é que partido nenhum sobrevive longe do poder. Não há mais ideologias!
O PMDB era gigante enquanto administrou por oito anos consecutivos a prefeitura. Então, muitos e muitos, em busca de um cargo político ou um emprego, para lá rumaram. Ao deixar a prefeitura, o PMDB passou a encolher. O mesmo aconteceu com o PFL, enquanto esteve comandando a cidade. Depois, foi encolhendo até se transformar em um punhado de pessoas que, corajosamente, participavam das reuniões do partido. Voltou a crescer um pouco ao assumir o cargo de vice-prefeito, em 2004. Agora, é a vez do PSDB, que ficará engordando seu quadro até o dia em que deixar o poder.
Dizem que isso faz parte da política. Dizem que o número de filiados é importante para o partido. Dizem que é bom enfraquecer o opositor, arrebatando seus filiados. Dizem... Eu, em razão de tudo isso, preferi ficar sem partido! Por causa disso, penso que o Brasil deveria adotar o modelo americano e permitir que cidadãos pudessem se candidatar a cargos eletivos sem exigência de filiação partidária.