
Por
César de OliveiraHá pouco tempo tratamos neste espaço de
tutores e tutelados, os primeiros comandando a vida dos segundos, omissos por opção ou ignorância.
Dentre os Tutelados, queremos destacar aqueles que, voluntarimente, se retiram do processo decisório e abdicam do direito de falar sobre assuntos de interesse coletivo.
É a instituição do silêncio político que leva à marginalização política . Eles – os Tutelados politicamente – agem dessa forma porque acreditam, equivocadamente, que assim poderão resolver melhor seus problemas particulares. Na época das eleições desligam a TV para não assistir o horário eleitoral gratuito. No dia da eleição cumprem com seu dever legal votando em qualquer um, pois tanto faz: 'São tudo farinha do mesmo saco, mesmo'.
Temos o abandono das questões públicas e a excessiva preocupação com as questões particulares. Cria-se um amontoado de indivíduos que buscam tão-somente voltar seus olhos para si mesmos. Nesse amontoado, ninguém se propõe a falar. O único conselho dado é não aconselhar. Esses indivíduos não se preocupam em votar em alguém que possa representar seus interesses e suas necessidades no governo. E, parecem não perceber que, queiram ou não, vivem em meio a outros indivíduos, o que significa que sua vida depende dos outros e que aquilo que ele fizer também influenciará nas vidas alheias.
O que significa isso? Relembrando que viver é acima de tudo con-viver, a esfera pública sempre vai existir. Se sempre existirá, alguém estará se ocupando dela. Quanto menos as pessoas participarem da política mais os interesses daqueles que se ocuparam da esfera pública irá prevalecer. As decisões a serem tomadas serão baseadas nesses interesses particulares, e não visando os interesses coletivos.
O silencioso político, queira ou não, perceba isso ou não, assume o que foi decidido pelos outros, sem nem mesmo colocar a público seu interesse. Portanto, assume a obediência e abdica da autodireção. Herda o status de governando e, não, o de governante. Quem prioriza em demasia suas questões particulares, priva-se da autodeterminação.
É, em suma, um Tutelado.
Assim, quando as pessoas se recusam a participar das decisões sociais, estão se recusando a decidir sobre suas próprias vidas. Estão aceitando que os problemas que dizem respeito a suas vidas sejam pensados e resolvidos por outras pessoas. Estamos, então, frente a frente com uma sociedade servil.