
O deputado estadual Jailson Lima (PT) (na foto) , que ocupa a segunda vice-presidência da Assembleia Legislativa de SC, denunciou o pagamento de adicionais de insalublidade que 111 funcionários daquele poder recebem. Anualmente, os valores recebidos por pouco mais de uma centena de funcionários públicos totaliza quase R$ 2 milhões.
Talvez, trabalhar em contato com deputados exija mesmo adicional de insalubridade. Mas certo mesmo é que os responsáveis por essa extravagância sejam punidos. Por enquanto, apenas perícias estão sendo solicitadas para saber quem deve ou não receber esse tipo de adicional e qual o valor deve ser o devido, como também está em tramitação projeto que definirá novos percentuais - mais baixos - de insalubridade. Deixa-se de lado, porém, qualquer investigação para se saber quem foram os responsáveis pela instituição desse implemento salarial, que retira do erário uma fortuna anual. Mas para quê saber quem são, não é leitores? Se tudo iria terminar em pizza, como aconteceu no Congresso Nacional, no caso das passagens aéreas dos congressistas e as horas extras dos funcionários!!!
O deputado "delator" dos adicionais exorbitantes acabou agindo como deveria, denunciando tal fato. Entretanto, atraiu para si a ira dos funcionários que recebiam os adicionais.
Ontem, no Diário Catarinense, Cacau Menezes perguntava quem são os "cinco profissionais de imprensa" que trabalham na Assembleia e são privilegiados com tal adicional.
É um absurdo que até prossionais dessa área recebam esse tipo de adicional!!!
Temos em Santa Catarina uma boa definição de separação de poderes. Há um poder extremamente rico, que é o legislativo estadual, que paga salários altíssimos, inúmeras vantagens pecuniárias questionáveis e vale-refeição que chega a ter o mesmo valor de salários de funcionários do Poder Executivo. Em segundo lugar vem o Judiciário, cujos funcionários possuem salários entre o Legislativo e o Executivo. Na última posição está o Executivo, que só reclama que não tem dinheiro e isso é sua justificativa para pagar mal seus funcionários - fazendo-se comparação até mesmo com o Judiciário. Enquanto o vale-refeição de um funcionário do Legislativo é de cerca de R$ 700,00, no Executivo um funcionário recebe apenas R$ 126,00. Sem falar que - conforme li em um blog - funcionário aposentado do Legislativo também recebe vale-refeição.
E nos revoltamos com o que acontece em Brasília, sem saber que aqui é quase ou a mesma coisa.
Se todos os deputados estaduais agissem da mesma forma que o deputado Jailson, cumprindo o seu mister de legislador e fiscalizador, teríamos uma Santa Catarina mais bela!
É deputado, como bem lembrou um leitor, em seu blog, essa questão da insalubridade "é só a ponta do iceberg".