O texto a seguir foi encaminhado pelo Presidente da OAB/SC - Subseção de Imbituba, César de Oliveira. Penso que é importantíssima a informação trazida, com a qual os pais devem mesmo ter preocupação. A omissão dos pais, hoje, afetará negativamente o futuro de seus filhos.
As escolas municipais e estaduais de Ensino Fundamental (1ª à 8ª série), exceto aquelas localizadas em áreas rurais, possuem uma nota de 0 a 10 que medem a qualidade do seu ensino. A nota representa o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, instrumento de avaliação do ensino criado pelo Governo Federal, que já teve duas edições — 2005 e 2007 — e terá a terceira em 2009, cujos resultados serão publicados no ano seguinte, 2010.
O IDEB possibilita à Sociedade, e aos pais em particular, acompanhar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas municipais, bem como comparar a avaliação da escola do seu filho com a das escolas da região e de outras cidades.
Uma nota será boa quando estiver próxima ou for superior a 6, que é a média nacional que o Brasil — cuja média atual é 3,8 — pretende atingir em 2022. Assim, se a nota da escola de seu filho for maior do que essa já é um resultado razoável. Se for menor, é mais preocupante. A melhor maneira de avaliar o desempenho da escola é comparando a nota da escola de seu filho com as que estão próximas dela e, num segundo momento, com as demais escolas de Imbituba e da região (Laguna, Garopaba e Imaruí).
Se a escola de seu filho estiver muito pior do que as outras, questione a Direção por que isso aconteceu. Outra forma de avaliar é observando como anda o desempenho da escola ao longo do tempo (2005, 2007 e 2009). Ela melhorou sua nota, está próximo de suas metas?
Segundo as avaliações do IDEB, a qualidade do ensino brasileiro vai mal. A média brasileira atual do IDEB é de 3,8. A média de países desenvolvidos em um índice similar, o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), é 6. Segundo o último resultado do PISA, divulgado em 2007 pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o Brasil foi reprovado nas provas de matemática e leitura, ocupando a 53ª posição em matemática (entre 57 países) e na 48ª em leitura (entre 56 países).
Para obter o desempenho da escola de seu filho e fazer comparações, acesse http://ideb.inep.gov.br/Site/.
A situação de Imbituba é a seguinte:
Ensino Fundamental:
-IDEB observado em 2005, nas séries iniciais = 3,9 (não havia projeção)
-IDEB observado em 2005, nas séries finais = 4,1 (não havia projeção)
-IDEB observado em 2007, nas séries iniciais = 4,4 (projeção para 2007 era 4,0)
-IDEB observado em 2007, nas séries finais = 3,8 (projeção para 2007 era 4,1)
-IDEB projetado para as novas avaliações:
2009 => anos iniciais = 4,3 / anos finais = 4,2
2011 => anos iniciais = 4,7 / anos finais = 4,5
2013 => anos iniciais = 5,0 / anos finais = 4,9
2015 => anos iniciais = 5,3 / anos finais = 5,3
2017 => anos iniciais = 5,6 / anos finais = 5,5
2019 => anos iniciais = 5,8 / anos finais = 5,8
2021 => anos iniciais = 6,1 / anos finais = 6,0
Então, leitores, daqui a mais de uma década, pela projeção feita pelo MEC, a educação das crianças e adolescentes imbitubenses estará no mesmo nível da média dos países desenvolvidos. No mesmo período, boa parte desses alunos do Ensino Fundamental deixará a escola. E uma outra parte de alunos chegará ao Ensino Médio, onde o nível não ajuda muito para o vestibular.
Simplificando, nesse período de mais de 10 anos, uma multidão chegará ao mercado de trabalho sem condições de disputar as melhores vagas com aqueles que estudaram em escola particular.