
Como eu disse na minha coluna de sexta-feira (15), no jornal Popular, eu comentaria sobre as entrevistas concedidas pelo prefeito às rádios locais, ao vivo, antes de sua viagem à Europa.
Eu não consegui ouvir todo o conteúdo das entrevistas e, portanto, vou falar apenas dos tópicos que ouvi.
Longe de ser bajulador, leitores, penso que não é qualquer político que tem coragem de se encostar no paredão para levar tiros. E essa atitude é altamente positiva e faz bem à democracia, de modo que o cidadão possa perguntar diretamente ao prefeito, sem qualquer escolha de pergunta, sem qualquer corte, sem qualquer burla ou pergunta capciosa. Assim que tem de ser, na cara e na coragem. E mais vezes.
Sobre as
pavimentações das ruas que deveriam ter sido concluídas no final do ano passado, o prefeito José Roberto Martins disse que a prefeitura cumpriu sua parte na contra-partida assumida no contrato com o BADESC, e a não conclusão das obras é culpa das empreiteiras que não cumpriram o contrato. Segundo o prefeito, se fossem fazer todo o procedimento legal necessário para a rescisão contratual, as obras poderiam ficar muito mais tempo sem ser concluídas do que
esperar pela boa vontade (expressão minha, leitores) das empreiteiras.
Eu não sei como firmaram esses contratos, mas penso que o correto seria ir pagando na medida em que as etapas das obras fossem concluídas. Não fez, não recebe. E, assim, descumprido o prazo de término, a prefeitura poderia rescindir unilateralmente o contrato e contratar nova empresa. Será que se podia fazer isso? Agora, fica a população aguardando a boa vontade de quem já embolsou o dinheiro público. Ou ainda não receberam? Tomara que não.
Um assunto que fiquei atento para ouvir foi o fato de que a prefeitura ingressou na justiça com mais de 20 ações para demolir
construções irregulares, sendo que um dos processos já teve sentença determinando a demolição. Por um lado, gostei de ouvir que a prefeitura está fazendo isso, por outro, acredito que é muito pouco para uma cidade com tantas construções irregulares, principalmente em áreas de preservação permanente. E é bom que isso seja amplamente divulgado, para que a população seja inibida a agir dessa forma.
Beto Martins reconheceu os problemas vividos na Secretaria da Saúde e se comprometeu a resolvê-los (falta de remédios) em 30 dias.
Sinceramente, embora esteja disposto a fazê-lo, não acredito que baste apenas esse prazo. Melhor fazer uma reengenharia nessa secretaria.
Sobre os casos de perturbação provocados por casas noturnas, na Praia do Rosa, o prefeito chamou para o problema a atuação de outras instituições, como as polícias e o Ministério Público, pois, acertadamente, isso não depende apenas da prefeitura, como foi o caso recente da festa
Rosa Weekend, que mesmo sem licenças do Poder Público, a festa foi realizada, com a permissão do MP, depois de um acordo judicial. Lembram-se, leitores?
A respeito de transporte coletivo, que funciona com ônibus velhos, o prefeito colocou a culpa na administração de Osny Souza Filho, que teria feito uma licitação para a exploração desse serviço, na qual foi vencedora a empresa Santo Anjo da Guarda. Segundo Beto, em razão daquela licitação, que não foi muito exigente em suas cláusulas, a administração atual nada pode fazer, podendo apenas tentar, na
conversa, (palavra minha, leitores) melhorar o serviço.
Prefeito, creio que há, sim. E sobre isso já falei na postagem “
Taxistas em pé de guerra”.
Alguns secretários acompanharam o prefeito nas entrevistas, e Jaison, da SEINFRA, também foi cobrado. Do que os ouvintes reclamaram? Buracos! Segundo Jaison, a prefeitura possui apenas DUAS MÁQUINAS para atender a 200km de malha viária.
Sobre a falta de maquinaria eu falarei amanhã, na minha coluna, no jornal Popular.
O prefeito, diante de algumas cobranças dos ouvintes, também fez as suas. Disse que a população é muito omissa nas questões da cidade, preferindo ficar “vendo novelas” (palavras dele, leitores) a ter que fazer sua parte como cidadão.
Neste ponto está certíssimo o prefeito. E sobre essa omissão falarei em minha coluna jornalística, nas próximas semanas.
Outro ponto de destaque foi a exaltação do prefeito à imprensa local, afirmando que são importantes as críticas e cobranças ao governo municipal.
Muito embora um
blog seja um canal de comunicação social, eu não pretendo que o
blog Pena Digital seja visto como imprensa propriamente dita. Contudo, quero dizer ao prefeito que apenas aceitar as críticas não é o bastante. Muitas sugestões dadas pela imprensa – e faço muito isso, aqui, com a colaboração dos leitores – devem ser analisadas e, se forem boas para o governo e à população, devem ser postas em prática. Eu torço e tento participar de forma que esse governo tenha sucesso em suas ações políticas, pois o sucesso do governo traz resultados positivos à população. Prova disso é que minhas críticas nunca visaram a atingir a vida privada de qualquer político, e, sempre que posso, tento sugerir soluções para os problemas abordados.
Espero que o governo de Beto/Léa não esteja sofrendo do mesmo mal que afligiu as administrações de Jerônimo Lopes e Osny Souza Filho: a maldição do segundo mandato! Para se desfazer disso, só rezando. Pai nosso...