
Eu estava ouvindo, agora, pela internet, o pronunciamento do vereador Dorlin Nunes Júnior (PSDB) na Câmara de Vereadores, quando utilizou o chamado "grande expediente" daquele Poder.
Embora eu acredite que muita gente - se é que tinha muita gente por lá - estivesse ouvindo tudo e achando o assunto enfadonho, eu, por outro lado, penso que são esses temas que devem ser mesmo abordados na Câmara. Dorlin falou da saúde pública, principalmente acerca do funcionamento do Sistema Único de Saúde-SUS.
Ele frisou o descompasso - se é que posso falar dessa forma - dos diversos órgãos públicos de Imbituba que trabalham com a saúde, em toda a sua extensão. Desde o Programa Sentinela até o próprio serviço prestado pelos agentes de saúde - aquelas pessoas que vão de casa em casa, quando vão.
Concordo plenamente com o vereador. Ele falou da inexistência de um banco de dados que possa integrar todos os órgãos que tratam sobre alguma atividade na área da saúde municipal. Os órgãos, com base nesses dados, poderiam interagir entre si, desenvolvendo melhores serviços e atingindo com mais precisão seus objetivos, pois teriam informações dos problemas de cada cidadão que foi atendido em algum dos órgãos que fazem parte desse compartilhamento de dados.
Só para citar um exemplo do que significa essa falta de integração, é o fato de um cidadão ir até um posto de saúde e ser atendido por um médico, receber medicamento e, no dia seguinte - quando não no mesmo dia - , desloca-se a outro
posto de saúde, consulta outro médico e recebe mais remédio para o mesmo problema. Os postos não têm entre si essa informação de atendimento. Eu lembro que isso foi ventilado na campanha eleitoral, mas não foi posto em prática. Talvez, leitor, você esteja pensando que isso é raro acontecer. Pelo que já ouvi falar, é comum. E veja quanta economia se poderia fazer com essa integração de dados - evidentemente que não se pode falar em economia na saúde, mas quero referir-me à boa administração do dinheiro público.
Eu não entendi quando uma pessoa da imprensa ironizou os requerimentos de Dorlin quando solicitava ao município e ao secretário estadual de saúde informações sobre o sistema de saúde em Imbituba. Um assunto dessa relevância tem de ser aplaudido e não ironizado, e o vereador tem aqui o meu apoio.
Como durante a sessão o vereador Dorlin retirou o requerimento que se encaminharia ao Estado, pois, segundo ele, já havia conseguido as informações durante o dia, manteve apenas o requerimento à Secretaria Municipal de Saúde, que foi aprovado por unanimidade, e cujo teor é o seguinte:
a) quais os critérios adotados para a concessão dos procedimentos de consultas emergenciais, exames de alta complexidade, exames de alto custo, etc.;
b) quantos profissionais técnicos (médicos, odontólogos, fisioterapeutas, etc..), suas respectivas lotações e cargas horárias estão à disposição para atendimento à população;
c) que ações estão sendo implantadas a fim de atender o Pacto pela Vida, do Ministério da Saúde;
d) quais medidas já foram tomadas objetivando informatizar os procedimentos médicos e administrativos do SUS, marcação de consultas, exames, e interligação via internet dos Postos de Saúde, inclusive;
e)junto ao Plano Municipal de Saúde, como estão sendo realizados os Relatórios de Gestão.