
Como eu já falei em minhas colunas publicadas no jornal Popular Catarinense, com mais ênfase no dia 28 de novembro de 2008, Imbituba não tem eventos culturais e não se sabe quando haverá.
Eu fico preocupado com essa questão porque vejo que se gasta dinheiro público com Festa do Camarão, Festa da Baleia Franca e outras coisas mais, sem que se valorize a cultura. Falo daquela cultura de teatro, de concursos musicais, de concursos de poesia, enfim, de tudo que faz bem para a intelectualidade, para o desenvolvimento do senso crítico, para a boa formação de uma sociedade, principalmente que atinja o público jovem.
E, ao navegar na internet, descobri que eu não sabia que havia um grupo teatral na nossa Zimba, denominado
Cia. Desmontagem Cênica, criado em 2005. Em contato com o diretor do grupo, Emerson, explanou ele as grandes dificuldades para colocar o bloco na rua. Emerson Cardoso Nascimento é ator e dramaturgo, formado em Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Sem patrocínio, pouco apoio do poder público, sem divulgação necessária, os artistas, a duras penas, tentam manter viva a esperança de que um dia tenhamos teatro em Imbituba.
A equipe: atriz Alessandra Santos, que já participou profissionalmente de alguns trabalhos em Florianópolis, na Cia. de Teatro Vanguarda. Entre os trabalhos mais importantes destacam-se: "Uma Sombra na Escuridão", "Paixão C." e "Mãos que Escrevem"; o ator Christian Ribeiro já participou de vários cursos, peças e um seriados na TV; os mais novos, Yara Lazarin e Maurício Martins, possuem também uma bagagem teatral significativa, adquirida em cursos e projetos educacionais realizados aqui na nossa cidade.
Possuem duas peças: "Hoje Não Tem Espetáculo!" e "(IN)UTILIDADES: do Princípio ao Fim".
O grupo já realizou na cidade algumas esquetes e 2 espetáculos com cerca de 6 apresentações cada, tendo em média 120 pessoas por apresentação (sempre casa lotada). Os ingressos normalmente são gratuitos ou é cobrado um valor de um a cinco reais* dependendo dos custos e condições de apresentação. Normalmente é um espetáculo por ano, pois o processo de montagem é longo e lento, pois o grupo prima pela qualidade em todos os detalhes.
Durante o ano de 2008 o grupo realizou trabalhos relacionados a animação de eventos e participou de atividades educativas na área teatral. Foi um ano principalmente de estudos e aperfeiçoamento profissional. Um novo espetáculo vem sendo estudado para ser apresentado ainda no ano de 2009.
Todo o trabalho da Cia. Teatral Desmontagem Cênica é desenvolvido e mantido apenas pelos próprios integrantes do grupo. O grupo ainda não é registrado. Quando é cobrada a entrada, o dinheiro vai para pagar as despesas decorridas do processo de montagem e apresentação.
Para o pleno desenvolvimento e consolidação da Cia. Desmontagem são necessários uma sala fixa para ensaios e organização do material do grupo. Precisam, urgentemente, de uma mesa de luz (para iluminação de cenário). "Um grupo teatral", destaca Emerson, "apesar de pequeno como o nosso, possui muitas despesas para a montagem e circulação de um espetáculo, que vai desde um tecido ou maquiagem até o aluguel de um equipamento de luz e pagamento de direitos autorais de textos e músicas (SBAT e ECAD). Acrescenta-se a isso, alimentação, transporte e muito tempo disponível.
Emerson também enfatiza que "o grupo precisa do apoio de empresários, lojistas, entidades públicas e privadas para a sua manutenção. Este apoio pode ser na forma de ceder espaços para apresentação, transporte, equipamentos de luz e som, adereços de cena e cenário, alimentação, divulgação etc. O teatro é uma arte complexa que engloba diversos profissionais, de contra-regras a atores, cenógrafos, carpinteiros, engenheiros, eletricista, motoristas, operadores de som, luz, seguranças e uma infinidade de outros detalhes. Tudo precisa estar devidamente bem estruturado para que além da segurança dos espectadores e atores o espetáculo possa sair como o esperado."
Emerson disse que "até o momento o grupo ainda não saiu às ruas para pedir o apoio e incentivo diretamente a quem nos pode ajudar, pois, primeiramente, o grupo quer mostrar a seriedade com que realiza suas produções. Após quase quatro anos, concluímos que é chegada a hora de pedirmos mais uma vez o incentivo de quem acredita na ideia de que
teatro em Imbituba é possível sim! Vou dar uma sugestão à Secretaria Municipal de Educação: assim como há o JEIMB, por que não realizar, todo ano, a semana do teatro, envolvendo as escolas?