
Faleceu, hoje, às 18h00, o ex-vereador Henrique Bittencourt de Bona. Sua participação política como vereador foi muito importante para Imbituba, quando participou do movimento e aprovação da emancipação político-administrativa de Imbituba, em 1958.
Dr. Henrique, como era chamado por ser dentista, era casado com a Sra. Sônia Maria Simões de Bona, e pai de Gilberto Simões de Bona, Roberto Simões de Bona e Jaqueline Simões de Bona Inácio.
Em 1954, as eleições municipais conduzem à Câmara Municipal de Laguna, então composta por treze cadeiras, cinco representantes do Distrito de Henrique: Willi de Souza (UDN); Jair Cardoso (UDN); Eustáquio Cavalcanti (PTB); Maurício da Costa Moure (PSP) e Licínio Andrade de Souza (PSD). Henrique Bittencourt de Bona ficou como primeiro suplente pelo PSD, assumindo, em seguida, a vaga de Licínio Andrade que mudou seu domicílio para Florianópolis.
Entusiasmado com o apelo popular pela emancipação, Henrique de Bona apresenta proposição na Câmara de Laguna para a criação do município de Henrique Lage. A reação lagunense foi resoluta, pois a movimentação econômica de Imbituba era a principal fonte de recursos para o governo municipal de Laguna. O retorno de Licínio Andrade ao legislativo foi imediato, afastando Henrique de Bona e arquivando o projeto emancipatório.
O movimento pela emancipação continuou sua investida, de forma suprapartidária, sob o comando de Nelson Souza (UDN), que viria a ser o primeiro Prefeito eleito após a nova emancipação, e Henrique de Bona (PSD), posteriormente eleito vereador, além dos dirigentes políticos Valter Amadei Silva, futuro primeiro Prefeito nomeado após a emancipação, e Tomé Manoel dos Santos, que também se tornou vereador.
A estratégia do grupo emancipacionista voltou-se então para a cooptação de vereadores para a causa imbitubense, de modo a atingir a maioria simples de votos necessários para a aprovação de uma Resolução criando o novo município. Sob esta ótica, os trabalhos iniciavam com um número modesto de edis favoráveis a Imbituba (então Distrito de Henrique Lage). Apenas três parlamentares: Willi Souza, Jair Cardoso e Maurício Costa Moure. Os outros dois eleitos pelo então Distrito de Henrique Lage, Eustáquio Cavalcanti e Licínio Andrade de Souza, não se alinhavam à causa.
A ação foi então dirigida para buscar apoios individuais à causa imbitubense. O primeiro a ser abordado foi o Vereador eleito por Laguna, Hilarião Pacheco que assegurou seu apoio. Era o quarto voto. A investida seguiu-se com a conquista da Vereadora Adelaide Ramos, também de Laguna, que se comprometeu a votar em branco. Reduziu-se, assim, o quorum de treze para doze votantes, que apreciariam a matéria. Faltavam três para conquistar a maioria simples.
A conversação seguinte deu-se com o vereador também eleito por Laguna, Euclides Pereira de Souza, o qual se comprometeu a ficar mais tempo em Porto Alegre, numa viagem que faria à capital gaúcha, permitindo, com sua ausência na sessão que apreciaria a proposição, a redução do quorum para onze vereadores. Ainda faltavam dois votos.
Mais um apoio foi buscado junto ao Vereador Nazil Bento, que também se comprometeu em votar a favor da emancipação, sob a condição de que o grupo emancipacionista pagasse a conta de dois ônibus contratados para trabalhar na sua campanha, cujo valor não tinha sido coberto por seu partido, o PSD de Laguna.
Agora restava conquistar mais um voto para obter a maioria simples. Mas, o quadro favorável, sofreu, então, um revés ao se revelar a retirada de apoio à causa imbitubense do Vereador Eustáquio Cavalcanti, eleito por Imbituba, por ser amigo pessoal do então Prefeito de Laguna, Dr. Valmor de Oliveira, e também funcionário da Câmara daquela cidade.
Todavia, o grupo não esmoreceu. A conversa foi direcionada, então, para o Vereador Licínio Andrade que estava endividado em razão da campanha anterior, já que não tinha sido reembolsado por seu partido, o PSD. O grupo acertou a quitação da dívida e, em contrapartida, a renúncia foi iminente. Assumiu, então, de forma definitiva, Henrique de Bona. Era o sexto voto a favor de Imbituba e o momento oportuno para reapresentar a proposta de emancipação do Distrito de Henrique Lage.
O êxito da estratégia estava comprovado com a edição da Resolução nº 21, em setembro de 1956, aprovada na Câmara Municipal de Laguna, autorizando a criação do Município de Henrique Lage. Porém, somente em 21 de junho de 1958, a Assembléia Legislativa de Santa Catarina aprovou a proposição que se tornou a Lei nº 348/58 que restabeleceu a autonomia político-administrativa. (fonte: Câmara de Vereadores de Imbituba)
Seu corpo será velado no plenário da Câmara Municipal de Imbituba.
Aos familiares, desejo que Deus os ampare nesse momento de profunda tristeza.