
Sempre fui contrário ao voto facultativo. Isso porque os brasileiros participam muito pouco da vida política em todas as esferas do Poder Executivo e Legislativo. Uma maior participação ocorre nos períodos eleitorais, quando, praticamente, só se fala de política. E, dessa forma, ainda que a cada dois anos, quando temos eleições, o povo recebe algumas doses de política, tornando-se mais politizado.
A partir do momento que se exclui o voto obrigatório, mais e mais pessoas, em decorrência de suas decepções com os candidatos nos quais votaram, passarão a ficar em casa no dia das eleições, evitando participar de qualquer atividade política, aumentando a corrupção, por falta de fiscalização e avaliação popular, com consequente fragilização da democracia.
Nem tudo que dá certo lá fora terá o mesmo resultado no Brasil, por questões diversas. Às vezes pela cultura distinta, ou pelo nível educacional baixíssimo, ou por um comprometimento deficitário com a nação.
Hoje, a Folha de São Paulo publicou uma entrevista com o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Carlos Ayres de Britto, em que ele afirma que mudou de ideia com referência a sua posição favorável ao voto facultativo.
Disse ele: "Sempre que solicitado, vinha me pronunciando pelo voto facultativo. Nos países de democracia consolidada e economia desenvolvida prepondera o voto facultativo. Sobretudo após um debate recente, fiquei convencido de que a questão do voto depende de cada povo e do estágio de evolução democrática. Cada eleição popular opera empiricamente como um processo de educação política. A eleição é tanto mais popularmente participativa quanto obrigatório o voto. Nesse estágio da nossa evolução democrática e econômica cada eleição cumpre um pouco esse papel. O voto facultativo significaria uma desmobilização física, provavelmente com maior repercussão nos setores mais economicamente necessitados e com menos educação formal."
Fico feliz com a mudança de pensamento do Ministro. Afinal, nem tudo que é obrigatório é contra a democracia.